desigualdade

A divisão da renda no mundo

Opinião

Após a década de noventa a humanidade passou a conviver com um sistema econômico mundial conhecido como globalização. Claro que até a humanidade chegar a essa evolução destruidora do capitalismo, vários outros processos foram consolidados pelo homem para que a troca de mercadorias e serviços entre os países sempre conduzissem a maior parte das riquezas produzidas por todos a uma pequena minoria conhecida como investidores, deixando que a grande maioria da humanidade ficasse com a menor parcela desta renda.

Não é a toa que em um mundo com 7 bilhões de pessoas, cerca de 1 bilhão vivem na mais absoluta miséria. Para se ter uma ideia sobre essa calamidade vamos observar dois momentos históricos.

Um se estende desde a revolução industrial até o começo dos anos noventa, onde 90% de todas as riquezas geradas pelo homem era reinvestida na produção e no comércio internacional.

Após esta década, os economistas de todo mundo observaram que apenas 2% destas transações internacionais são investidas na produção, ou seja, 98% deste montante de bilhões de dólares vão para o mercado financeiro.

O grande problema da divisão da renda e da geração de empregos se encontra aí, quem faz investimentos no mercado financeiro não gera emprego e renda para os trabalhadores, que hoje inclusive, devido a essa forma perversa de investimento, obriga aos trabalhadores do mundo inteiro a trabalharem mais para manter um padrão mínimo de dignidade.

O pior é que obrigam estes mesmos trabalhadores a abrirem mão de direitos históricos conquistados pela luta dos trabalhadores de todo o mundo, após centenas de anos de resistência.

Em nossa categoria não é diferente. O que vimos nos últimos 14 meses foi cerca de 40% dos metalúrgicos de BH/Contagem perderem seus postos de trabalho. Esse está sendo o preço que nossa categoria está pagando pela crise econômica internacional criada pelos rentistas.

Eles em nada se preocupam com o desemprego e suas consequências devastadoras aos trabalhadores e, pior ainda, nem pensam que os problemas sociais gerados pela concentração da renda aumentam a fome, o crime, o ódio e toda essa violência que passa a frente dos nossos olhos todos os dias.

Finalmente, se torna importante para nós trabalhadores entendermos estas circunstâncias antes de seguirmos o que a grande mídia brasileira, principalmente, nos impõe a todo momento, dizendo que todos os problemas do Brasil se resumem simplesmente na corrupção e nos custos do ESTADO BRASILEIRO.

No entanto eles não dizem nada sobre o mercado financeiro ou sobre a possibilidade do governo em taxar as grandes fortunas, para que assim o ESTADO BRASILEIRO possa fazer maiores investimentos em programas sociais e geração de emprego e renda em nosso país.

Walter Fideles, secretário de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos de BH/Contagem

Comentários foram encerrados.