Paralisação chega ao 19º dia

Bancários rejeitam proposta e greve continua

Federação dos bancos ofereceu reajuste de 7,1% para a categoria e trabalhadores seguem pedindo índice de 11,93%.

São Paulo – O Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), rejeitou a proposta de reajuste salarial de 7,1% oferecida pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), feita na tarde de sexta-feira. A entidade afirma que a greve vai continuar.

Em sua justificativa, a representante dos trabalhadores explicou que a proposta é muito baixa. “A proposta da Fenaban foi uma decepção. O lucro dos bancos está em torno de R$ 60 bilhões, de acordo com o relatório do Banco Central. E eles nos oferecem menos de 1% (de reajuste real)”, afirmou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro. “Rejeitamos e vamos orientar nossos sindicatos a fortalecer a greve para ver se a Fenaban melhora a proposta em mesa”, completou o dirigente sindical.

Ainda segundo o presidente da entidade, não houve nenhum avanço em relação à alta rotatividade no setor, “os bancos demitem quem ganha mais e contrata novos funcionários pagando menos”, diz. Além disso, não houve proposta em relação às metas abusivas e à segurança dos funcionários.

Em relação à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), ficou mantida a fórmula praticada atualmente. Os bancos oferecem correção dos valores fixos e de tetos em 10%, que, segundo Cordeiro, na prática não muda nada para os trabalhadores. Cordeiro explicou que foi enviado à Fenaban comunicado oficial para avisar sobre a rejeição da proposta. Assim, a greve continua na segunda-feira, até que os bancos apresentem nova oferta.

Os bancários pedem um índice de 11,93% (aumento real de 5 pontos percentuais), um piso no valor de R$ 2.860,21 e participação nos lucros de três salários-base mais parcela adicional fixa de R$ 5.553,15. Os bancários também pedem a valorização dos vales-refeição e alimentação (um salário mínimo, R$ 678,00) e melhores condições de trabalho, com o fim das metas individuais.

Pela proposta da Fenaban, o piso salarial para bancários que exercem a função de caixa passará para R$ 2.209,01 para jornadas de seis horas. Estão previstos reajustes do auxílio-refeição, que sobe para R$ 22,98 por dia; da cesta alimentação que passa para R$ 394,04 por mês, além da 13ª cesta neste mesmo valor, e auxílio-creche mensal de R$ 327,95 por filho até seis anos.

O diretor de Relações do Trabalho da Fenaban, Magnus Ribas Apostólico, ressalta que a proposta deve ser analisada considerando os ganhos de 2013 e dos últimos anos. “ um momento de se preservar conquistas e não de aumentar custos, por isso a proposta prevê um aumento real do poder aquisitivo dos bancários”, disse. Magnus alerta que o momento exige cautela. “A economia está num ritmo mais lento, as margens de todos os setores estão mais apertadas e a geração de emprego está em queda”, afirmou.

Sobre a PLR, a Fenaban informou que a mesma fórmula será mantida, com correção dos valores fixos e de tetos em 10%. Dependendo do lucro do banco, por exemplo, a PLR de um caixa pode chegar a 3,5 salários. (FP/AE)

Fonte: www.diariodocomercio.com.br

Comentários foram encerrados.