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China cresce porque a política industrial é de Estado e não de governo, avalia sindicalista

“A China cresce porque sua política industrial é de Estado e não de governo. Ou seja, é uma política que não está sujeita às mudanças de gestão e traz previsibilidade necessária para garantir investimentos e geração de empregos. Ao contrário do Brasil, que atualmente vive uma instabilidade política”. Esta é a avaliação do jovem metalúrgico do ABC Wellington Damasceno, que participa de missão à China.

E os números não negam. Segundo dados oficiais do governo chinês divulgados nesta segunda-feira (17), a produção industrial da China cresceu 7,6% em junho em relação ao ano anterior.

“A roda da economia chinesa gira porque existe o investimento do governo. Já vivemos este momento no nosso país quando era governado por Lula. O Brasil cresceu porque tinha investimento do Estado; consequentemente gerava consumo e empregos de qualidade”, completou o metalúrgico do ABC Nelsi Rodrigues, o Morcegão.

A delegação de sindicalistas brasileiros chegou em Pequim, capital do país, no último sábado (15), e encerra o intercâmbio na próxima segunda-feira (24). A missão é organizada pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com apoio da Câmara de Comércio de Desenvolvimento Internacional Brasil China.

Nesta quarta-feira (19), o grupo visitou o Parque Nacional da Indústria Ecológica, localizado em Yixïng. De acordo com os sindicalistass, o local agrega 1,7 mil empresas e emprega cerca de 100 mil trabalhadores.

“Este parque aglomera, principalmente, startups [companhias que estão no início e que buscam explorar atividades inovadoras no mercado] montadas por jovens com foco em soluções modernas, de alta tecnologia e preocupação com o meio ambiente. É um parque que tem o total apoio financeiro do governo e, por isso, a China está em constante ascensão”, contou Damasceno.

Segundo Morcegão, mesmo com investimentos do Estado na indústria, grande parte da produção de alta tecnologia não é voltada para o mercado interno. “A estratégia dos chineses é produzir inovação tecnológica de alto nível para outros países, mas com a preocupação de manter os empregos na China”, assinalou.

A delegação também conta com a participação do secretário geral da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, os presidentes da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT/SP (FEM-CUT/SP) e de Minas Gerais (FEM-CUT/MG), Luiz Carlos da Silva Dias e Marco Antonio de Jesus, os presidentes dos Sindicatos dos Metalúrgicos de Sorocaba (SP) e de Porto Alegre (RS), Leandro Soares e Lírio Segalla Martins Rosa, e o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Rafael Marques. Eles estão acompanhados pelos técnicos do Dieese André Cardoso (CNM/CUT), Luis Paulo Bresciani (ABC) e Leandro Horie (CUT Nacional).

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