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Desafios para 2017: impedir retrocesso e unificar lutas dos metalúrgicos da CUT

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55 e as medidas anunciadas pelo governo ilegítimo e golpista instalado há seis meses no Brasil vão atingir em cheio a classe trabalhadora e os setores mais vulneráveis da população brasileira. O Brasil vive um cenário de incertezas e a única alternativa é continuar lutando para impedir o retrocesso em direitos fundamentais como a CLT, o emprego decente, a aposentadoria e programas sociais.

Sob esta perspectiva, a direção plena da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) deu início nesta terça-feira (29) à sua última reunião do ano, para avaliar as ações empreendidas pela entidade e traçar as estratégias para 2017.

O encontro, em Brasília, teve a presença de convidados, como o presidente da CUT Rio Grande do Sul, Claudir Nespolo, o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, e o ex-secretário nacional de Relações de Trabalho, Manoel Messias. A presidenta do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis, Cristiane Marcolino de Souza, e os presidentes das Federações de Metalúrgicos da CUT de São Paulo e de Minas Gerais, Luiz Carlos da Silva Dias e Marco Antonio de Jesus, também acompanharam a atividade.

A capital federal foi escolhida para sediar a reunião para que os metalúrgicos cutistas pudessem também participar da manifestação contra a PEC 55, que começou por volta das 16 horas na Esplanada dos Ministérios. Pouco antes, o presidente da Confederação, Paulo Cayres, representou a entidade na reunião realizada com parlamentares da oposição, centrais sindicais e movimentos sociais e que decidiu protocolar pedido de impeachment do presidente golpista Michel Temer

Conjuntura e diálogo interrompido

A reunião da direção começou com uma análise da conjuntura econômica brasileira, feita pelo economista Clóvis Scherer, supervisor do escritório do Dieese no Distrito Federal.

Para ele, as medidas gestadas pela equipe do governo golpista – particularmente o congelamento de gastos públicos previstos na PEC 55 – trará consequências nefastas ao país.

“O setor público vai desestimular o setor privado, por conta da diminuição dos gastos públicos”, avaliou Scherer, lembrando que o governo tem reservas suficientes para investir e pagar as dívidas públicas.

Segundo ele, para que o Brasil retome o caminho do crescimento é necessário o estabelecimento de estratégias para a indústria nacional, com uma política clara para o reaquecimento do setor.

Já o ex-ministro da Previdência, além de fazer coro contra a PEC 55, assinalou que há alternativas concretas para o Brasil sair da recessão, como uma nova política tributária, com a taxação de grandes fortunas, o restabelecimento da política de conteúdo nacional para o segmento naval, os acordos de leniência para que as empresas envolvidas na Lava Jato voltem a operar, entre outras medidas.

Carlos Gabas foi enfático ao condenar a proposta de reforma da Previdência Social, lembrando que a fórmula 85-95 para as aposentadorias foi pactuada com o movimento sindical e que o governo golpista pode acabar com ela por meio de Medida Provisória (MP). “O golpe interrompeu o debate com a sociedade. Por isso, acho que em vez de Projeto de Lei, Temer pode fazer a reforma da Previdência por MP”, alertou.

O ex-ministro afirmou ainda que o discurso de déficit na Previdência é mentiroso e que se hoje a arrecadação é menor, isso se deve ao fato de o país estar atravessando uma recessão com desemprego forte e de ter aumentado muito a sonegação. “É preciso resistir e os metalúrgicos da CUT são estratégicos nessa luta, por sua história e pelo papel que exercem no movimento sindical”, pontuou.

Unificar lutas e campanhas

Depois de acompanhar a apresentação do economista André Cardoso, técnico da subseção do Dieese da CNM/CUT, com dados sobre o quadro do emprego nos segmentos que compõem o ramo metalúrgico e o resultado das campanhas salariais da categoria este ano, a direção da Confederação decidiu intensificar a luta pelo Contrato Coletivo Nacional de Trabalho e propôs o estabelecimento de uma estratégia comum para as campanhas salariais de 2017.

“O Contrato Coletivo continua sendo nosso principal objetivo. Acredito que podemos adotar uma nova tática, de buscar a negociação por segmento, estabelecendo direitos iguais para metalúrgicos de um mesmo grupo econômico”, defendeu Paulo Cayres.

O secretário geral em exercício da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, complementou e propôs a realização de uma plenária nacional em março, para definir estratégias e reivindicações comuns a toda a categoria para as campanhas salariais do próximo ano. “O momento exige uma forte articulação entre nós para impedir também retrocessos em nossas convenções coletivas”, disse.

Ainda no encontro, o secretário de Organização, Ubirajara Freitas, fez um rápido balanço da atuação da Confederação em relação às Redes Sindicais de Metalúrgicos, destacando que elas são instrumentos importantes também para a luta em defesa do Contrato Coletivo Nacional de Trabalho.

A reunião da direção prossegue nesta quarta-feira (30) e começará com um encontro com deputados e senadores para discutir ações parlamentares em defesa dos direitos dos trabalhadores e de uma política industrial para o país. As informações são da CNM/CUT.

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