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Dieese: 2016, um ano para os fortes

Dieese

O país atravessa uma das piores recessões da história, no contexto de uma das mais graves crises vivenciadas pelo sistema capitalista. O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,9%, no 4º trimestre de 2016, em relação ao trimestre anterior. Para todo o ano de 2016, a queda do PIB foi de 3,6%.

O desemprego, após longo período de queda, que partiu da taxa de 12,3%, em 2003, e chegou, em 2014, ao patamar mínimo de 4,8%, recorde da série (IBGE, Pesquisa Mensal de Emprego ), voltou rapidamente ao centro dos problemas sociais, retornando ao patamar de 12,0%, no quarto trimestre de 2016 (IBGE, Pnad Contínua) – a taxa média de desocupação foi de 11,5% no ano. O desemprego aumentou em todas as regiões.

Em boa parte, a crise vivida pelo Brasil reflete o esgotamento das saídas convencionais nas quais muitos países têm insistido, apesar de essa escolha significar agravamento do quadro socioeconômico geral. Os problemas do endividamento dos estados e das famílias, o aumento do desemprego, a queda da renda atormentam, em maior ou menor grau, as economias do mundo todo.

Houve desaceleração do nível geral de preços nos últimos meses, fazendo com que a taxa oficial de inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, do IBGE (IPCA-IBGE), ficasse em 6,48%, abaixo do teto da meta, que é de 6,50%. Esse resultado é fruto, essencialmente, do brutal desaquecimento pelo qual passa a economia brasileira.

O contexto geral de crise econômica profunda, somado a um processo de tentativa de retirada de direitos dos trabalhadores, colocou o movimento sindical em posição defensiva a partir de 2016. As negociações coletivas refletiram essa dinâmica.

A indústria de transformação ainda enfrenta graves problemas e fechou 2016 com queda de produção. O crescimento de 2,3% registrado entre novembro e dezembro não impediu que o recuo da atividade industrial atingisse -6,6% no ano passado.

O governo “comemorou” o resultado primário (que não considera os juros da dívida) alcançado em 2016: déficit de R$ 155,8 bilhões, bem abaixo dos R$ 170,0 bilhões projetados pelo Tesouro Nacional. Assim mesmo, o déficit foi de R$ 44,5 bilhões maior que o registrado em 2015, de R$ 111,25 bi.

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