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Em MG, presidente da CNM explica proposta de sistema de proteção ao emprego

O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Paulo Cayres, durante a Plenária Estadual dos Metalúrgicos da CUT de Minas Gerais, avaliou os desafios da categoria, particularmente na campanha salarial deste ano (a data-base é 1º de outubro).

Além de destacar as ações da Confederação e do Macrossetor da Indústria da CUT – que reúne metalúrgicos, têxteis, químicos, trabalhadores na construção e alimentação –, em sua intervenção, Paulo Cayres explicou aos participantes a proposta em debate com o governo, de adoção de um sistema de proteção ao emprego semelhante ao existente na Alemanha.

“Um programa como este mudaria a lógica sobre o trabalhador: em vez de o governo gastar com o desempregado, ele contribuiria para manter o trabalhador empregado. As empresas que precisam reduzir a produção em função de crise econômica (não de administração), não fariam demissões. Elas reduziriam a jornada de trabalho e os salários e a diferença da remuneração seria bancada por um fundo mantido pelo governo”, disse Paulão.

O presidente da CNM/CUT esclareceu ainda que esta proposta é mais vantajosa também para o governo, que continuaria arrecadando com a Previdência Social e os impostos que incidem sobre os salários. “Para o trabalhador também não haveria nenhum prejuízo, porque ele continuaria ganhando o mesmo salário e tendo as mesmas garantias, como contagem de tempo para aposentadoria, FGTS, férias. O melhor: ele continuaria a consumir e, assim, a contribuir com crescimento econômico. Quando o trabalhador fica desempregado, sua renda cai e ele fica inseguro para consumir, porque não sabe quanto tempo vai demorar para conseguir trabalho”, assinalou Cayres.

O sindicalista informou que a proposta deste sistema de proteção ao emprego foi apresentada no final do mês pela coordenação do Macrossetor da Indústria ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Mauro Borges, em audiência em Brasília e que o tema está sendo amadurecido pelo governo. “O próprio Ministério da Fazenda tem um estudo dizendo que o governo gastaria menos com um programa como este do que gasta com o seguro-desemprego”, destacou Paulo Cayres.

Além dele, também participaram da plenária os secretários de Política Sindical e de Igualdade Racial da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira e Christiane dos Santos, para contribuir com os debates sobre a organização dos metalúrgicos e a conjuntura econômica do país.

O presidente da FEM-CUT/MG, José Wagner, avaliou que a categoria terá de fazer uma boa mobilização nesta campanha salarial para assegurar avanços em sua remuneração e em seus direitos sociais. A Federação cutista representa 150 mil metalúrgicos mineiros, de um total de 270 mil trabalhadores na categoria.

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