Em São Paulo, metalúrgicos lançam campanha salarial e dizem não à terceirização

QUI, 04 DE JUL / 2013

Na manhã desta quinta-feira (4), mais de 500 trabalhadores participaram de manifestação na avenida Paulista. Pauta de reivindicações foi entregue à Fiesp.

 

Os metalúrgicos da CUT realizaram, na manhã desta quinta-feira (4), manifestação na avenida Paulista, em São Paulo (SP), para protestar contra o projeto de lei 4.330/2004 (que trata da terceirização) e deflagrar publicamente a Campanha Salarial da categoria.  Cerca de 500 trabalhadores, representando 14 entidades de base dos metalúrgicos do estado, participaram da atividade, que foi organizada pela Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT/SP.

Crédito: Israel Barbosa/SINPRO-ABC
Biro Biro: pauta do chão da fábrica
Biro Biro: pauta do chão da fábrica

Os manifestantes se concentraram no MASP (Museu de Arte de São Paulo) e realizaram uma pequena passeata até a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (que fica a cerca de 200 metros do Museu). Lá, a direção da FEM-CUT/SP entregou a pauta de reivindicações da categoria aos representantes dos seis grupos patronais com os quais a entidade negocia. A Federação representa cerca de 250 mil trabalhadores e a data-base é 1º de setembro.

Crédito: FEM-CUT/SP
Rafael e Biro Biro
Rafael: universalizar a convenção coletiva

Este ano, serão negociadas todas as cláusulas das convenções coletivas (as cláusulas sociais estavam acertadas por dois anos).

Assim, além da discussão sobre salários, também reivindicações como licença-maternidade de 180 dias, estabilidade para trabalhadores com doenças graves, entre outras, estão na pauta.

Segundo o presidente da FEM, Valmir Marques, o Biro Biro, muitas das conquistas alcançadas pela categoria nos últimos dez anos estão superadas. “A Federação tem por prática ouvir as reivindicações do chão de fábrica para atender as demandas e se aproximar de uma nova realidade”, afirmou.

Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, destacou a unificação das cláusulas sociais como ponto relevante da pauta. “Além da reposição integral da inflação e o aumento real, queremos a unificação das cláusulas dos grupos patronais. São oito cláusulas, são convenções diferentes. Elencamos os melhores benefícios de cada convenção e queremos unificá-los. Por exemplo, a licença-amamentação. Conseguimos com negociação a extensão em oito dias da licença-maternidade, mas não são todos os grupos patronais que têm a cláusula. Queremos que tenha em todos”, disse o dirigente. “Queremos a legalização dos 180 dias da licença-maternidade, é disso que se trata, universalizar a convenção coletiva dos grupos de negociação”.

Crédito: Yolanda Moretto – CNM/CUT
Paulo Cayres
Paulo Cayres: “É hora de buscar o que é nosso!”

Já o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Paulo Cayres, destacou que nos últimos 10 anos o país vem crescendo e a vida dos trabalhadores também melhorou. “Mas o que cresceu mesmo foi o lucrodos empresários. Por isso, é hora de buscar o que é nosso. É preciso lembrar que aumento real de salário não gera inflação. Aumento real faz a economia girar melhor, porque com dinheiro no bolo, o trabalhador consome mais e, assim, a indústria produz mais”, ressaltou, ao argumentar que os empresários têm condições de atender as reivindicações da categoria.

Terceirização
Na manifestação, os metalúrgicos também se posicionaram contra o projeto de lei 4.330/2004. “Temos de combater este projeto de terceirização, porque ele quer reduzir conquistas e roubar direitos dos trabalhadores. Quer destruir 30 anos de lutas da CUT e seus sindicatos em defesa do salário do trabalhador e também de suas condições de segurança e saúde no ambiente de trabalho”, afirmou Paulo Cayres.
Enquanto os metalúrgicos realizavam sua manifestação, os bancários que trabalham nas agências da avenida Paulista também protestaram contra a terceirização. As agências ficaram fechadas até às 12 horas. A categoria bancária também é uma das mais penalizadas com a terceirização.

Vale lembrar que o PL 4.330/2004 permite, entre outras coisas, a terceirização em atividades-fim, o que abriria brechas para precarizar as condições de trabalho e a representação sindical. As centrais sindicais estão atuando junto ao governo e à Câmara dos Deputados para impedir a votação da matéria (veja aqui).

(Fonte: Solange do Espírito Santo – assessoria de imprensa da CNM/CUT, com informações da Rede Brasil Atual)

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