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Em São Paulo, montadoras fazem acordos além da inflação

Na maioria das montadoras localizadas em São Paulo, os trabalhadores receberão aumento real de 2%, apesar da crise no setor. No ABC paulista, os funcionários de Volkswagen, Scania e Ford receberam a inflação passada mais 2% de aumento real incorporado ao salário, enquanto na Mercedes-Benz e na Toyota o ganho real também de 2% será pago como abono, segundo informações do sindicato local.

Na fábrica da Mercedes em Campinas, os 2% reais foram acertados após greve de uma semana, também segundo o sindicato local. O acordo da Volkswagen é plurianual e foi assinado no ano passado. Ford e Mercedes, procuradas, não comentaram os acordos.

Na GM há duas situações distintas. Em São Caetano do Sul, o acordo fechado em 2013 garantiu 2% de alta acima da inflação naquele ano, mas para 2014 e 2015 foi definida apenas a correção pelo INPC acumulado até a data-base – o que agora significa aumento de 6,35% – mais abono.

Em São José dos Campos, onde cerca de 850 operários da montadora estão no regime de suspensão temporária, a situação é mais complicada. O sindicato local optou por não fazer um acordo de longa duração no ano passado, nem aceitou a proposta patronal de reposição da inflação deste ano. Uma assembleia hoje discute a possibilidade de paralisação.

Com base nas negociações em curso, os metalúrgicos paulistas com data-base em 1º de novembro, representados pela Força Sindical, já se preparam para uma campanha árdua. A Federação dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo da Força, que reúne 54 sindicatos, deve definir o índice a ser pedido neste ano apenas no fim do mês, mas a realização de greves já está em discussão.

“Estamos nos preparando para enfrentar uma guerra. Não podemos admitir que não tenha aumento real”, diz Miguel Torres, presidente da central sindical. Em 2013, os sete grupos representados pela Força no Estado de São Paulo tiveram ganho real da ordem de 2%.

Em São Caetano, a maioria dos metalúrgicos (11,5 mil) já foi contemplada no acordo da GM, mas para os outros 4,5 mil trabalhadores – grande parte no setor de autopeças – os percentuais propostos ainda não repõem a inflação e a expectativa não é das melhores, relata o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Francisco Nunes Rodrigues. Valor Econômico.

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