Reunião na FIEMG em 26/08/2013. (Foto: Michelle Mello)

Empresas mineiras oferecem 5,9% de reajuste

A perspectiva de retomada do crescimento econômico nesse segundo semestre e os benefícios fiscais concedidos pelo governo nos últimos meses para setores da indústria metalúrgica serão dois dos principais argumentos dos trabalhadores para tentar convencer os patrões a conceder aumento salarial de 13%. No entanto, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) informou ontem, na primeira reunião com os sindicalistas, que as empresas oferecem 5,9%. A campanha unificada dos metalúrgicos tem data-base em 1º de outubro.

Até o fim de setembro serão realizados encontros semanais para discussão dos cerca de 100 itens da pauta de reivindicações entregue pelos trabalhadores em 31 de julho. Segundo o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da Fiemg, Osmani Teixeira de Abreu, faltando ainda pouco mais de um mês para a data-base, ainda não é possível precisar o índice de inflação e, portanto, inferir qual será o aumento real a ser oferecido aos metalúrgicos. “Nossa proposta é de 5,9% de aumento. Se a inflação for menor, a variação será o ganho real. Se ficar nesses patamares, não haverá ganho, apenas reposição”, sintetiza.

Para Abreu, há possibilidade de ganhos reais nos patamares entre 0,5% e 1%, considerando que no acumulado dos últimos dez meses o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 5,24%, e se continuar nesse nível, o ganho real será de quase 0,7%. A Fiemg representa aproximadamente 10 mil empresas do setor metalúrgico, que empregam cerca de 250 mil trabalhadores no Estado.

“Somente agora apresentamos nossa contraproposta. Há muitas divergências e muitos pontos a negociar”, anunciou, lembrando que a proposta da Fiemg foi acordada, em assembleia, por 16 sindicatos patronais. Em resposta à reivindicação dos trabalhadores, de teto mínimo de ingresso nas empresas, de R$ 1.698,00, independentemente do porte, da localização ou do número de funcionários, Abreu informou que os tetos hoje em vigor serão aumentados com os mesmos 5,9% de reajuste salarial.

O que significa que esse percentual deve incidir sobre os salários iniciais vigentes nas quatro faixas: de R$ 759,00, voltada para empresas com menos de dez trabalhadores; de R$ 798,60, para aquelas que têm entre 10 e 400 funcionários; de R$ 858,00 para as que têm pelo menos 400 funcionários e o máximo de 1 mil; e de R$ 1.074,00 para as empresas que têm mais de 1 mil funcionários. Segundo Abreu, a proposta de redução da jornada de trabalho, de 44 horas para 40 horas, não deve ser acolhida.

Quanto à alegação dos sindicalistas, de que a categoria patronal está em condições de conceder aumento real em virtude dos incentivos recebidos pelo governo, Abreu disse que “os benefícios já foram repassados para os trabalhadores”. Segundo ele, foram incluídos pelas empresas nas negociações de participação de lucros e resultados. Além disso, nem todos os setores da indústria metalúrgica foram beneficiadas com os incentivos.

Campanha – Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem, Geraldo Valgas, a proposta apresentada da Fiemg é insuficiente, pois os trabalhadores querem um aumento real de pelo menos 5%. “Vamos intensificar os processos de campanha salarial, com manifestações nas portas das empresas e junto com outras categorias com data-base no segundo semestre, como os petroleiros, banqueiros e trabalhadores da construção civil”, anunciou.

No ano passado, os trabalhadores reivindicaram um aumento de 12% e conseguiram 7,7%. “Eles propuseram aumento da ordem de 3%. Conseguimos mais”, informou o sindicalista, lembrando que a categoria tem conseguido aumentos reais de até 10% em negociações diretas, como ocorreu recentemente em empresa da Cidade Industrial, com cerca de 300 trabalhadores.

Em sua avaliação, a julgar pelos resultados divulgados na última semana pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), de que 84,5% dos 328 acordos de aumento salarial firmados no primeiro semestre deste ano resultaram em reajustes acima da inflação, neste segundo semestre, as condições para os empresários estarão ainda melhores, inclusive para o setor metalúrgico, com bons desempenhos dos “segmentos automobilístico e de bens de capital”. No primeiro semestre, a média de aumento real no país foi de 1,19%. No Estado, ficou em 1,13%.

Fonte: Diário do Comércio

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