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“Golpistas, não passarão”, diz Tico Santa Cruz no Acampamento pela Democracia

“Facistas, não passão. Homofóbicos, não passarão. Machistas, não passarão. Racistas, não passarão. Golpistas, não passarão.” Com estas frases e cantando um trecho da música “Blues da Piedade”, juntamente com manifestantes, integrantes da Frente Brasil Popular, do movimento “Povo sem Medo”, e de Flávio Renegado, o cantor Tico Santa Cruz, do Detonautas, encerrou a primeira parte do ato-político e cultural realizado na noite de terça-feira (10), 10° dia do Acampamento pela Democracia, montado desde 1° de maio na Praça da Liberdade, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Tico e Renegado também cantaram “O morro mandou avisar”. Cantor do Detonautas visitou o acampamento, e antes de ir embora, tirou muitas fotos com fãs, conversou com as pessoas e com a imprensa.

A mobilização, coordenada pela presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), Beatriz Cerqueira, foi encerrada com shows. O ato foi iniciado com um aulão público sobre democracia, seguido de uma mística. A manifestação teve bateria da União Juventude Socialista (UJS) e a rua de frente ao Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, ficou interditada. Nesta quarta-feira (11), a ocupação contra o golpe e em defesa da democracia e dos direitos sociais receberá, às 18h30, o 1° Ato político cultural FORA TEMER – apresentações culturais, samba, forró, MPB. A concentração começa por volta das 14 horas.

“O processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff não tem legimitidade. Michel Temer não tem legitimidade. No aeroporto, quando cheguei aqui, me perguntaram o que vim fazer em Minas. Eu disse: vim participar de uma manifestação contra o impeachment. Sou contra o impeachment. O problema é o Congresso, que com gente como Jair Bolsonaro e Eduardo Cunha, se aproveitou da insatisfação dos brasileiros para aplicar um golpe. Por que o  ‘Vem pra rua’ não se manifestou sobre o roubo da merenda em São Paulo? Eles não passarão”, afirmou Tico Santa Cruz, em cima do caminhão de som da CUT/MG.

“A gente tem que entender também que foi um ex-governador daqui, o senador daqui de Minas Gerais, o senhor Aécio Neves, que não conseguiu aceitar a derrota que foi imposta a ele nas urnas. Ele então se articulou com outros setores, com outros partidos pra tentar chegar ao poder. Nós temos que dizer pra ele que eles não passarão. Se eles estão achando que vão conseguir governar tranquilamente, eles têm que entender que eles não vão governar. Michel Temer não vai ter paz, não vai ter tranquilidade para governar o Brasil. Os movimentos sociais têm que estar na rua mesmo. A periferia não se levantou ainda, temos que trazer a periferia. A periferia precisa vir pras ruas também, juntar força”, acrescentou Tico.

“Vamos continuar nas ruas, com marchas, trancamentos de rodovias, com ocupações. Michel Temer não terá um só minuto de sossego. Estamos dando uma aula para a direita golpista. Não vamos arredar um passo do que nós conquistamos, com o sangue dos trabalhadores mineiros e do povo brasileiro. O enfrentamento que estamos fazendo é o que  história reservou para nós. O conjunto do povo brasileiro vai dar uma aula para a direita”, disse Silvio Netto, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Cerca de 250 pessoas estão acampadas desde o dia 1°de maio na Praça da Liberdade, um dos principais cartões postais da cidade, localizada na região nobre e frequentada pela classe média alta. Ela foi palco de várias manifestações da direita a favor do impeachment de Dilma. Mas depois do acampamento, parece terem entendido o recado da esquerda : “direita, recua! o povo tá na rua”.

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