estudo

Incertezas marcam início de 2015

O ano de 2015 inicia-se com o país tendo que enfrentar uma série de problemas que mereciam atenção já há algum tempo. O cenário externo, pouco favorável, juntamente com questões relacionadas ao ambiente doméstico, acabaram determinando uma desaceleração do crescimento econômico.

O patamar das taxas de juros e o câmbio valorizado são duas variáveis importantes que explicam, em parte, o fraco desempenho econômico e, combinados à inflexibilidade dos preços, trazem mais incertezas quanto ao futuro. A deterioração do cenário econômico atingiu, no quarto trimestre do ano, o mercado de trabalho que, até então, resistia ao ciclo negativo da economia.

A desaceleração da atividade econômica, o fraco desempenho da economia internacional, a queda nos preços dos produtos primários, as elevações sucessivas da taxa básica de juros e o câmbio apreciado contribuíram para a elevação da dívida pública bruta e do déficit externo, acompanhados, como dito antes, pela aceleração dos índices de inflação.

As medidas adotadas pelo governo têm como objetivos atacar três problemas: reduzir a dívida pública bruta; diminuir o déficit externo e; conduzir a inflação para o centro da meta. Mas as políticas, tanto a fiscal quanto a monetária, são contraditórias no que respeita à consecução dos objetivos.

Para estabilizar e/ou reduzir a dívida pública é preciso, além de cortar despesas, gerar superávit primário, que é a sobra de caixa (de recursos) no Tesouro, mais difícil de se obter quando se aumentam os juros que, por sua vez, desaceleram a economia, fazendo com que a arrecadação caia. Assim, ao mesmo tempo em que corta gastos e aumenta impostos, para aumentar o caixa, o governo aumenta juros, fazendo sangrar o Tesouro via aumento de despesas financeiras da dívida.

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