Chrysler Trenton Engine Plant

Indústrias de autopeças voltam a operar dentro da normalidade

Depois de um período conturbado, com demissões e concessão de férias coletivas em função da queda das atividades do setor automotivo, a indústria de autopeças mineira voltou a operar normalmente. Entretanto, a previsão para este ano ainda é de queda no faturamento do segmento, segundo sindicatos que representam os trabalhadores da categoria ouvidos ontem pela reportagem.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas, João Alves de Almeida, revelou que terminado o período de férias coletivas concedido Fiat Automóveis, instalada em Betim (RMBH), a 6 mil funcionários até o início do mês passado, o cinturão de fornecedores da montadora, que também havia parado, retomou as atividades em ritmo normal e, por enquanto, não há previsão de novas paralisações e nem redução da jornada de trabalho.

“Entendemos que o momento é de estabilidade. Até porque, a Fiat está mantendo seu plano de investimentos. Além disso, temos uma base comparativa forte, já que no ano passado foram quebrados recordes de produção na fábrica. Mas, é claro que se houver uma crise no setor automotivo nacional nós seremos profundamente afetados”, afirma Almeida.

A cadeia de fornecedores do setor automotivo instalada no Sul de Minas também percebeu pequena melhora no cenário, depois da demissão de cerca de 2 mil trabalhadores e de algumas fabricantes ameaçarem fechar as portas devido à crise no setor. A multinacional PK Cables (PKC) já anunciou que vai encerrar as operações até dezembro caso a situação não melhore.

“Agora a situação está estável. A tendência para os próximos meses é de melhora nos negócios. Além disso, não houve mais demissões e a produção está normalizada”, afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Itajubá, Paraisópolis e Região, José Carlos dos Santos. Ele explica que na região o impacto é grande porque 50% dos empregos gerados pela indústria local estão ligados à cadeia fornecedor de componentes automotivos.

Quanto à PKC, Santos informou que foi realizada audiência pública na Câmara Municipal de Itajubá para discutir a questão. “Os vereadores se comprometeram a tentar marcar audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para debater os impactos do fechamento da multinacional da economia da região. A intenção é convencer a direção da empresa para não fechar as portas no ano que vem”, diz.

Index – A pequena melhora no cenário econômico para o setor automotivo pode ser percebido na última pesquisa dos Indicadores Industriais (Index) divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O levantamento mostra que, em julho, o setor de veículos automotores – que envolve também a cadeia de autopeças – teve aumento das horas trabalhadas de 17,47% “em decorrência do acréscimo nas horas extras e do retorno ao trabalho de funcionários que estavam em férias coletivas”.

“Também é preciso lembrar que estamos em plena campanha salarial e as montadoras utilizam a justificativa da crise para pressionar os trabalhadores. Há também a pressão sobre o governo para conquistar benefícios, como a regressão da alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para 0%”, avalia.

Na tentativa de evitar perdas maiores para o setor automotivo, no início de julho, o governo federal confirmou a manutenção da alíquota reduzida do IPI para carros novos até dezembro. Conforme programação original, o imposto devia alcançar sua alíquota “cheia” no dia 1º daquele mês.

Ainda de acordo com o Index, o faturamento real do segmento (veículos automotores) cresceu 8,06% em julho, diante de junho, em virtude do incremento nas vendas para os mercados interno e externo. Além disso, a pesquisa também mostrou que o nível de emprego no setor reduziu pelo sexto mês consecutivo na mesma base de comparação, refletindo o recuo na produção do setor.

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