HÉLIO MADALENO quer 'aposentar' cadeira que foi usada por antecessores, dizendo que o presidencialismo acabou - Lairto Martins

Madaleno quer sindicato guiado pelo coletivo

Chapa 2 toma posse no Sindipa em meio a imbróglio jurídico, e anuncia revisão de reivindicações da campanha salarial 

IPATINGA – A Chapa 2 Intersindical-CUT, vencedora das eleições realizadas em janeiro no Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), assumiu a direção da entidade nesta segunda-feira (30). Uma liminar mantinha no comando da entidade o grupo ligado à Força Sindical, do ex-presidente Luiz Carlos Miranda, substituído por Gláucio Ervilha, mas decisão do Tribunal Regional do Trabalho no dia 26 de setembro, publicada nesta segunda no Diário Oficial, alterou a situação.Aguardando ser comunicada oficialmente, a direção interina lacrou a sede do Sindipa, no bairro Bom Retiro, até por volta das 16h, atrasando a troca de comando até que chegasse ordem judicial. Por telefone, o então presidente Gláucio Ervilha informou que não haveria nenhum impedimento de sua parte, desde que houvesse formalização jurídica. “Estou aqui por força da Justiça e estou decidido a acatar prontamente qualquer decisão que seja oficializada”, argumentou.

Do lado externo do prédio, contudo, o clima ficou tenso, pois dezenas de apoiadores da Chapa 2, ansiosos pela consumação do resultado das eleições, defendiam entendimento de que por si só a publicação no Diário Oficial já seria suficiente. O trânsito na avenida Fernando de Noronha, principal via de tráfego do bairro, foi bloqueado pelos manifestantes. “A antiga direção trancou os portões com cadeado e correntes, impedindo nossa posse de forma ilegal. Foi uma medida arbitrária, mais um desrespeito à democracia e à vontade dos trabalhadores”, queixou-se o advogado da Chapa 2, Lucas Antunes. Para por fim ao impasse foi necessária a presença de um oficial de Justiça, levando determinação do juiz Marcelo Oliveira, da 1ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano.

Novos Rumos
Em gesto simbólico, o novo presidente do Sindipa, Hélio Madaleno, se recusou a fazer uso da cadeira antes ocupada pelos presidentes que o precederam. O líder da Chapa 2 argumentou que agora o Sindipa será dirigido por um colegiado, e que não pretende centralizar as decisões. “O sindicato vai permanecer sempre de portas abertas, pois é a casa do trabalhador. Tudo será decidido pela categoria, não por mim sozinho. Por isso estou aposentando essa cadeira, somos agora um colegiado, acabou o presidencialismo”, garantiu.

Madaleno também adiantou que promoverá nova consulta às bases sobre a campanha salarial, que já tinha uma pauta de reivindicações definida pela diretoria anterior. A proposta é convocar em breve uma Assembleia Geral dos Metalúrgicos e subir o tom nas negociações com a empresa.
“O maior patrimônio da Usiminas é o trabalhador. Vamos defender esse patrimônio. Milhares de metalúrgicos perderam seus empregos e o Sindipa estava omisso. Hoje, na área, há desvios de funções e acúmulo de serviço, prejudicando a qualidade de vida dos trabalhadores, causando estresse e acidentes de trabalho. Vamos exigir mais dignidade para a categoria. Por exemplo, em Cubatão, o adicional noturno já é 50%, enquanto em Ipatinga se paga somente 20%. Se a empresa alegar dificuldades, ela vai ter que provar, pois o que vemos são vendas crescendo a cada dia”, afirmou Madaleno.

Na manhã desta terça-feira (1°) haverá reunião entre os integrantes da nova diretoria, para decidir questões administrativas internas. Um dos assuntos em pauta é a situação dos funcionários que prestam serviço ao Sindipa atualmente. “Sabemos que muitos foram obrigados, até mesmo contra a vontade, a usarem a camisa da chapa adversária e fazer campanha. Reconhecemos a importância dos funcionários, o trabalho que desempenham. Estas questões serão consideradas em nossa decisão. Mas é um tema que será discutido pelo grupo, não vou opinar individualmente”, explicou o novo presidente do Sindipa.

Fonte: www.jvaonline.com.br

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