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Metalúrgicas querem compartilhar trabalho doméstico com homens

As mulheres metalúrgicas querem maior responsabilidade dos seus companheiros na administração doméstica. Um assunto, até então circunscrito ao âmbito familiar, é agora incentivado pelo movimento sindical.

Esse foi um dos debates do 2° Encontro de Mulheres Metalúrgicas ocorrido nesta quinta-feira (22/05) na sede da Federação dos Metalúrgicos da CUT/SP (FEM-CUT/SP), com a participação de mais de 100 mulheres sindicalistas dos 14 sindicatos da categoria no estado. Para elas, o trabalho compartilhado com os homens, como forma de dividir tarefas de casa, pode facilitar e aumentar a participação da mulher na atividade sindical.

De acordo com a secretária da Mulher da FEM-CUT/SP, Andréa Ferreira de Souza, a presença feminina nos sindicatos é de apenas 15% do total de representantes da categoria. “Saímos para trabalhar deixando outras tarefas domésticas acumuladas e, enquanto nossos companheiros não estiverem esclarecidos da necessidade desta mudança, nossa participação em ambientes políticos continuará sendo pequena”, apontou.

Outras questões foram abordadas no encontro como o impacto do uso abusivo de álcool e drogas no trabalho das mulheres, além do esclarecimento e entendimento sobre doenças femininas. “Ninguém fica doente porque quer. Temos que conhecer esta realidade e buscar alternativas para ajudar as mulheres”, disse a secretária da FEM.

Menos em casa e mais no trabalho

Ao mesmo tempo que as mulheres pedem mais colaboração aos seus companheiros, elas também correm para ampliar sua inserção no mercado de trabalho e ascender profissionalmente.

Uma ação neste sentido foi vista no inicio de abril durante o 3º Congresso das Metalúrgicas do ABC (SP), quando foram assinados acordos que estabelecem um mínimo de 30% nas vagas oferecidas e o mesmo percentual para promoções de mulheres em duas fábricas de autopeças de São Bernardo: Valeo e Sese.

A coordenadora de recursos humanos da Valeo, Euza Bispo, afirmou que atualmente o quadro da empresa já conta com 59% de mão de obra feminina. “A Valeo já tem essa política de valorização da mulher e esperamos que com a assinatura deste acordo outras empresas assumam este compromisso”, concluiu. Já a Sese tem apenas 18% de mulheres e pretende alcançar meta do acordo ainda este ano.

“Esses contratos são um estímulo às empresas para ampliarem as oportunidades para as mulheres nas fábricas. São também passos importantes neste caminho que estamos trilhando em busca da igualdade de oportunidades ”, afirmou Ana Nice Martins de Carvalho, diretora executiva e coordenadora da Comissão das Metalúrgicas do ABC, que espera assinar acordos semelhantes em outras fábricas.

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