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Metalúrgicos da CUT querem bloco parlamentar em defesa dos trabalhadores

Poucas horas depois do Senado dar as costas para a sociedade e aprovar em primeiro turno a Proposta de Emenda Constitucional 55 – que congela gastos públicos por 20 anos – e das forças policiais de Brasília reprimirem com violência manifestação de trabalhadores, estudantes e movimentos sociais, parlamentares da oposição participaram, na manhã desta quarta-feira (30), de encontro com a direção da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT). O objetivo foi articular a formação de um bloco de deputados e senadores para a defesa dos direitos dos trabalhadores e de uma política industrial consistente para o país.

A atividade convocada pela CNM/CUT – que está reunida na Capital Federal (leia aqui) – e que teve a participação do presidente da CUT, Vagner Freitas, acabou se transformando num ato político de repúdio ao estado de exceção que está sendo implantado no Brasil, demonstrado claramente no final da tarde de ontem com o ataque feroz da polícia contra os manifestantes no gramado em frente ao Congresso Nacional.

Todos os presentes condenaram a repressão e as ações dos golpistas contra a imensa maioria da população, contra a soberania nacional, os direitos trabalhistas e sociais, com o claro objetivo de atender os interesses de poucos.

No encontro, os dirigentes metalúrgicos entregaram aos deputados documento justificando a importância e a urgência da articulação deste bloco parlamentar, diante dos sucessivos ataques que a classe trabalhadora e a sociedade vêm sofrendo desde que os golpistas assumiram o poder no país.

“O Brasil está revivendo os tempos da ditadura militar depois do golpe que tirou do poder a presidenta legitimamente eleita. Estamos atentos ao que está acontecendo no governo golpista e no Congresso Nacional e o que isso representa para a classe trabalhadora. Nossos representantes no Parlamento são minoria, mas com nosso respaldo podem atuar na defesa dos nossos interesses”, destacou Paulo Cayres, presidente da CNM/CUT. “Além de nos apoiar na luta por nenhum direito a menos, queremos que o Congresso encaminhe nossas propostas para que a indústria saia da letargia e que volte a gerar empregos e desenvolvimento no Brasil”, completou.

Para o presidente da CUT, a classe trabalhadora precisa estar cada vez mais unida para enfrentar os ataques aos direitos conquistados. “Os golpistas já escancaram que o principal objetivo do golpe é tirar direitos sociais e trabalhistas. Por isso temos de resistir e agora também lutar para derrubar Michel Temer e exigir eleições gerais já”, assinalou Vagner Freitas.

O deputado Marco Maia (PT/RS) lembrou que nunca o Congresso Nacional foi tão conservador e defendeu tão claramente o retrocesso das conquistas sociais e trabalhistas. “Hoje há parlamentares que não tem vergonha de defender abertamente a volta da ditadura militar. Temos de nos unir cada vez mais porque o golpismo não vai acabar. Com certeza ele vai seguir no mínimo até 2018, ano eleitoral”, afirmou Maia, que já foi, inclusive, dirigente da CNM/CUT nos anos 1990.

“A iniciativa da CNM/CUT é fundamental para que os parlamentares possam ter respaldo cada vez maior para defender os direitos da classe trabalhadora”, complementou o deputado Vicentinho (PT/SP), metalúrgico que já foi presidente da CUT Nacional.

Já Paulo Pimenta (PT/RS) alertou que a articulação de governo, parlamentares e judiciário está ameaçando seriamente a classe trabalhadora. “A reforma trabalhista virá, se não pelo Congresso, pela via do Judiciário, que tem na pauta a terceirização sem limites e a prevalência do negociado sobre o legislado. O Brasil está sendo governado por uma quadrilha. Temos de resistir cada vez mais”, ressaltou.

“A cada dia cresce o desafio de assegurar direitos básicos da população, como moradia, trabalho, educação e saúde. Por isso, ações como esta proposta pela CNM/CUT são essenciais para nos unificar cada vez mais”, afirmou Adelmo Carneiro Leão (PT/MG).

Para Carlos Zarattini (PT/SP), o momento exige a retomada do enfrentamento ideológico, de se estabelecer parceria efetiva com o movimento sindical para disputar o discurso e reavivar a consciência de que estamos vivemos uma ferrenha luta de classes.

O secretário de Política Sindical da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Alimentação (Contac-CUT), Nelson Morelli, também participou da atividade representando as entidades que congregam o Macrossetor da Indústria da CUT (que, além de metalúrgicos e trabalhadores em alimentação, congregam químicos, têxteis e trabalhadores na construção). “A luta em defesa dos nossos direitos nunca cessa, porque o interesse patronal sempre está presente. Mas agora, nossa atenção e disposição de luta têm de ser redobradas, para impedir o retrocesso que querem impor”, disse Morelli.

Cayres encerrou a atividade lembrando que a CNM/CUT tem intensificado a aliança operária-camponesa com o Movimento dos Sem Terra e o Movimento dos Pequenos Agricultores, com ações conjuntas com o Levante da Juventude e com o apoio aos estudantes que estão ocupando as escolas públicas no país. “Nós não desistiremos de lutar. A aliança da classe trabalhadora e a nossa unidade são a herança que deixaremos para as futuras gerações”, enfatizou.

Também participaram da reunião e se manifestaram em defesa dos trabalhadores: Dionilso Marcon (PT/RS), Elvino Bohn Gass (PT/RS), Fernando Marroni (PT/RS), Leonardo Monteiro (PT/MG) e o suplente de senador do Distrito Federal Wilmar Lacerda (PT).

Foram convidados vários outros parlamentares da esquerda, mas eles não puderam comparecer, em função da agenda apertada no Congresso Nacional.

(Fonte: Assessoria de Imprensa da CNM/CUT)

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