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Metalúrgicos, governo e universidade debatem propostas para setor automobilístico

A indústria brasileira fechou 2015 com queda de 6,2% no nível de emprego, segundo pesquisa divulgada ontem (18) pelo IBGE. A área que mais fechou postos de trabalho foi a que produz barcos, aviões e automóveis, com redução de 11%. Para dinamizar o setor automobilístico, também ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC organizou o seminário “Ideias para o futuro da inovação no Brasil”. O evento reuniu trabalhadores das áreas de engenharia e ferramentaria, empresários, representantes de universidades e do governo federal, que debateram propostas para implementação da segunda etapa do programa Inovar Auto.

Criado em 2013 com o objetivo de aumentar a competitividade da indústria automobilista brasileira e garantir empregos no setor, o Inovar Auto 2 prevê descontos de até 30% no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as empresas que investem em pesquisa, engenharia e desenvolvimento tecnológico de carros produzidos no país, e que utilizam peças feitas aqui. Em três anos de aplicação dessas medidas, o setor automotivo atraiu mais de R$ 3,5 bilhões de investimentos em inovação e contou com a chegada de dez montadoras ao país.

“A gente conseguiu, a partir do Inovar Auto, preservar a participação de mercados das indústria aqui instaladas. Um programa que, no final das contas, gerou, de maneira formidável, emprego em toda a cadeia brasileira. O nosso balanço é que o programa ainda é incompleto, mas foi muito positivo”, disse o presidente do sindicato, Rafael Marques.

Para o coordenador-geral das Indústrias do Complexo Automotivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Rodrigo Bolina, investimentos em pesquisa e desenvolvimento são a chave para a saída da crise: “A gente passa por um momento um tanto delicado, mas quanto mais investimentos a gente fizer em pesquisa e desenvolvimento, a gente vai desenvolver novos produtos e, assim, a gente consegue manter e, inclusive, aumentar empregos na cadeia automotiva”.

O representante da Volkswagen que esteve no seminário também concorda sobre os efeitos positivos do programa. “As ferramentarias passaram por alguma fase da estagnação, onde não houve muito investimento e, e depois do programa, sentiu-se de novo que, de fato, esse investimento voltou a acontecer”, assinalou Jorge Frade, gerente de ferramentaria.

Uma das metas do Inovar Auto, que vigora até 2017, é incentivar a produção de modelos mais seguros, menos poluentes e com melhor consumo de combustível. Os metalúrgicos querem a prorrogação do programa para que a tecnologia do setor automotivo seja, de fato, desenvolvida e possa criar empregos qualificados.

O Sindicato prevê maior participação das universidades na nova fase do programa. “Na primeira fase do Inovar Auto, as universidades tiveram um papel menor. Nessa fase, tem que ter um papel maior, porque é de lá que saem ideias de inovação, de processos, para melhorar, inclusive, o ambiente de negócios. Essa mesma tecnologia é um desafio porque pode ser um fator de desemprego, mas, se feito com a participação ativa dos trabalhadores, a tecnologia pode vir sem causar esse efeito devastador do desemprego”, avaliou Rafael Marques.

O diretor de pesquisa da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), Vagner Barbeta, espera também do Inovar Auto 2 longa duração como uma política estruturante para o setor: “Programas de grande monta, que são grandes objetivos nacionais, precisam ser programas de longa duração, precisam ter uma perenidade muito grande, até mesmo porque é isso que vai garantir, no longo prazo, o investimento e o desenvolvimento de pesquisas, o desenvolvimento de pessoal qualificado”, afirmou.

Rede Brasil Atual

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