Greve na Ford

Metalúrgicos na Ford entram em greve por demissões no ABC

Um dia após a Ford dar início a demissões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), os 7 mil trabalhadores da unidade deflagraram greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira (10). A paralisação foi aprovada pelos trabalhadores, por unanimidade, durante assembleia na porta da fábrica no início da manhã. A empresa não anunciou o número exato, mas o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, calcula por volta de 200 demissões.

De acordo com Paulo Cayres, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT e integrante do Comitê Sindical de Trabalhadores (CSE) da Ford, a montadora não cumpre com o acordo de estabilidade de emprego até março de 2017. “Com essa atitude, a fábrica rasga o acordo estabilidade e rompe as negociações com o Sindicato. Temos de manter o nível de empregos porque a indústria foi amplamente beneficiada pelas desonerações do governo. É bom lembrar que, para os patrões, essa crise representa apenas redução de lucro. Não vamos aceitar que este ônus sobre para a classe trabalhadora”, afirmou.

Em assembleia, Paulo Cayres ainda lembrou da unidade de mobilização e luta da dos trabalhadores na Ford. “Nós temos organização no local de trabalho e sabemos o quanto isso é importante para momentos como estes. Esta paralisação dos metalúrgicos e prestadores de serviços mostra a unidade da classe trabalhadora. Juntos somos mais fortes”, garantiu.

Para o secretário geral da CNM/CUT e representante do Sistema Único de Representação (SUR) na Ford, João Cayres, a atitude da montadora foi uma surpresa para os representantes dos trabalhadores. “Esta medida foi tomada de forma unilateral pela montadora, sem negociação com o Sindicato. E, infelizmente, ela sinaliza que é apenas o começo de um processo de demissões, por isso esta luta é só o começo”, disse.

Na unidade, a montadora produz o modelo New Fiesta e caminhões. Antes das demissões, havia 160 trabalhadores com contratos de trabalho suspensos (lay-off) e 59 afastados em banco de horas.

Negociações
Recentemente, duas fabricantes voltaram atrás na decisão de fazer mais demissões. A Mercerdes-Benz cancelou 1.500 cortes na fábrica de São Bernardo do Campo, onde produz caminhões e ônibus. A marca alemã foi a primeira montadora a optar pelo Plano de Proteção ao Emprego (PPE), do governo federal, que permite a redução de salários e da jornada de trabalho por até 1 ano, desde que a empresa comprove dificuldades financeiras e haja concordância dos funcionários.

A Volkswagen também desistiu de demitir 43 trabalhadores em Taubaté (SP), onde produz o Up!, além de Gol e Voyage.

(Fonte: Assessoria de Imprensa da CNM/CUT)

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