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Metalúrgicos rejeitam proposta de PLR da ArcelorMittal Monlevade

Os trabalhadores da ArcelorMittal Monlevade rejeitaram na quinta-feira (10) a proposta da empresa para Participação nos Lucros e Resultados (PLR) deste ano. Eles aprovaram uma contraproposta formulada pelo Sindmon-Metal (Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade), que, depois de alguns ajustes, será apresentada à empresa.

As principais divergências entre patrões e funcionários referem-se a alguns indicadores de metas. Outro aspecto questionado é o salário-base mínimo utilizado para cálculo do benefício – R$ 1.980,00 pela proposta patronal, enquanto o Sindmon-Metal reivindica R$ 2.350,00 (mesmo valor utilizado no ano passado) mais correção pelo índice oficial de inflação de 2014, estimada em 6,5%.

A formação de um comissão de negociação de PLR para 2015 – que substituiria a relação da empresa com o Sindicato – também foi um dos pontos rejeitados.

A decisão dos metalúrgicos foi tomada durante assembleia realizada em dois turnos (às 8h e às 17h30), na sede da entidade sindical, depois de seis reuniões de negociação entre ArcelorMittal Monlevade e Sindmon-Metal, que se iniciaram em 04 de junho.

Percentuais

A proposta da siderúrgica para apurar o valor da PLR baseia-se em uma série de metas, divididas em gerais (referentes a todo o grupo ArcelorMittal) e locais (relativas ao desempenho da Usina de Monlevade).

As gerais são de natureza financeira e consideram os valores apurados de Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e o FCF (Fluxo de Caixa Livre, em sigla em inglês). Já as locais envolvem dados de produção e qualidade.

O Sindmon-Metal considera que os dados financeiros escapam ao controle dos trabalhadores, o que contraria a legislação que regulamenta o pagamento de PLR (Lei 10.101/2000).

Quanto aos indicadores locais, o Sindicato avalia que não há como atingir algumas metas definidas pela ArcelorMittal, considerando dados de desempenho de anos anteriores e dos primeiros meses deste ano, analisados por sua assessoria econômica e técnicos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)

Salário-Base

Os acordos de PLR entre ArcelorMittal e Sindmon-Metal sempre utilizaram um salário-base mínimo como piso para cálculo do benefício, como forma de proteger os trabalhadores com salários mais baixos.

Isso porque a PLR da empresa não é um valor fixo, mas, sim, resultado da multiplicação do salário do funcionário por um fator que é calculado de acordo com o cumprimento das metas definidas para o ano. Assim, para quem ganha menos do que o piso, é utilizado o salário-base definido em acordo, e, para os demais, é usado o seu salário-base real.

Em 2013, a PLR foi de 3,18 salários e o salário-base mínimo foi definido em R$ 2.350,00. Dessa forma, quem tinha um salário de, por exemplo, de R$ R$ 1.480,44, teve sua PLR calculada da seguinte forma:

R$ 2.350,00 x 3,18 = R$ 7.473,00 (menor PLR paga no ano passado).

Agora em 2014, a princípio a ArcelorMittal queria eliminar a utilização de salário-base mínimo, mas, depois de negociação), propôs R$ 1.980,00 (valor médio dos salários praticados na Usina), contra proposta do Sindmon-Metal, que é de R$ 2.350,00 corrigidos pelo índice de inflação deste ano (o indicador que for maior).

Negociações

O Sindmon-Metal encaminha à empresa nesta sexta-feira (11) correspondência com o resultado da assembleia e solicitação de reunião para dar continuidade às negociações.

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