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Não há país soberano sem educação, diz Lula em Teófilo Otoni

No segundo dia da caravana Lula pelo Brasil, etapa Minas Gerais, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na terça-feira (24), de ato em defesa da educação em Teófilo Otoni.

Ele se disse emocionado por voltar à cidade onde esteve, pela primeira vez, em 1980. E lembrou que o objetivo da caravana é ouvir o povo das mesmas regiões por onde Lula e seus ministros passaram, entre 1993 e 1994.

Em uma fala direta aos que são opositores aos governos Lula e à presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente cobrou que essas pessoas assumam que derrubaram a presidenta eleita para colocar algo “pior” no lugar.

E lembrou, também, as informações envolvendo o presidente golpista Michel Temer, que tem liberado verba para deputados votarem contra a denúncia na Câmara.

“Agora vai cair o orçamento da educação em 18 bilhões de reais. A Folha já publicou duas vezes que na primeira votação, o Temer gastou 14 bilhões de reais comprando deputado. Agora, a matéria diz que vai gastar mais 12 bilhões de reais. Daria para resolver o problema da educação”.

“O que que é melhor pro País? Investir em educação ou gastar com deputado pra votar?”, perguntou.

“Esse país foi jogado no lixo a partir de 2013, quando eles começaram a caminhada para derrubar a Dilma. Não pense que aquela marcha que houve em 2013 era porque a Globo gostava de democracia. Ali, começaria uma caminhada para derrubar a presidenta”, completou o ex-presidente.

Lula também questionou as motivações que levaram os opositores a terem tanto ódio. “Eu fico pensando toda noite o que que nós fizemos de errado nesse país que criaram tanto ódio na gente? A explicação que eles têm para transmitir o ódio que eles transmitem é pela ascensão das pessoas mais pobres. Porque os de baixo não querem mais ficar na senzala e querem subir para a casa grande”.

Sobre as denúncias da Operação Lava Jato e a perseguição diária que tem sofrido, há anos, o ex-presidente disse que, em todas as buscas, só encontraram uma coisa: caráter.

“Invadiram a minha casa e levantaram até o colchão. Encontraram caráter! Quebraram meu sigilo bancário, foram procurar dinheiro ilegal na minha vida. Na minha não acharam, mas acharam na do Aécio e na de muita gente. Acharam jóia, ouro, dólar, euro, até um avião com 400 quilos de cocaína eles acharam. E esse avião desapareceu. E o dono dele nunca foi prestar um depoimento. Onde tá essa cocaína”.

Ele voltou a dizer que não quer estar “acima da lei”. “Eu não estou e não quero estar acima da lei porque todas as leis que estão sendo utilizadas para combater a corrupção foram feitas no meu governo e no governo da Dilma”.

E cobrou: “quero que eles tenham a coragem de pedir desculpas ao povo brasileiro. Eles sabem que o que eles estão fazendo”.

“Eles venderam a alma ao diabo e eu não vou deixar, porque meu pacto é com o povo brasileiro. Eles sabem que eu darei a vida para que a gente não permita que o país perca a soberania. Se eles não sabem como resolver o problema da economia brasileira, da crise, eu sei! É só colocar os pobres outra vez no centro da economia. É só não jogar a culpa em cima da Previdência, que a gente resolve o problema desse país, volta a ser respeitado no mundo, e volta a crescer”.

Educação como passaporte para o futuro

O ex-presidente voltou a defender a importância de ampliar, cada vez mais, os investimentos em educação. E reforçou: a elite brasileira que governou o País nunca teve interesse que as pessoas mais pobres tivessem acesso à educação.

“Não é possível nenhum país se desenvolver, conquistar a soberania, ficar rico se o seu povo não tiver uma boa formação escolar. Se o povo não tiver uma boa educação. É só olhar quais países são mais atrasados, mais pobres e os mais ricos. Os mais ricos são aqueles que investiram em educação. E os mais pobres, não”.

“Agora eles aprovaram a Emenda Constitucional para dizer que investir em educação é gasto, fazendo com que, durante 20 anos, a gente não possa investir nem na educação nem na saúde. Acham que investir na educação é gasto”, criticou Lula.

Em sua fala ao povo da cidade que esteve na praça Tiradentes para ouví-lo, Lula lembrou que não teve diploma e, por isso, “jurou” que ampliaria o acesso à educação no Brasil.

“Pelo fato de eu sentir na pele não ter um diploma é que eu jurei para mim mesmo que eu ia fazer com que um filho de pobre, negro, branco, índio, tivessem o direito a ter acesso à universidade. Eu não quero tirar o direito de ninguém fazer uma universidade. O que eu quero é que todos tenham a mesma oportunidade”.

Lula pelo Brasil

A viagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por diversas regiões de Minas Gerais, entre os dias 23 e 30 de outubro, é a segunda etapa de um projeto que deve alcançar todas as regiões do país. O percurso, que será todo feito de ônibus por Lula, envolve sete regiões do Estado totalizando pelo menos 14 cidades.

As viagens pelo país é uma prática de colocar os pés no chão e dialogar com o povo brasileiro que Lula adotou ainda nos anos 1980, com a Caravana da Cidadania, que fez história e consolidou  a construção do movimento sindical e do PT. A primeira feita por ele em Minas Gerais aconteceu nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Posteriormente, Lula realizou a Caravana das Águas, no Norte do país.

O momento é propício e mais do que necessário. Diante dos ataques do governo golpista e ilegítimo aos direitos e conquistas de brasileiras e brasileiros e à soberania nacional, as forças populares têm que se mobilizar cada vez mais em defesa da democracia e do projeto democrático e popular e contra o retrocesso. Em Minas Gerais, a Caravana conta com o apoio da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), das entidades CUTistas, dos movimentos sociais, populares e estudantis.

Lula inicia sua Caravana por Minas pelo Vale do Aço, um dos berços do Partido dos Trabalhadores, em Ipatinga no ato “Em defesa da soberania nacional” de recepção da caravana na Praça dos Três Poderes, às 18 horas.  Na região, rica em minério existiam as empresas estatais Usiminas e Cia Vale do Rio Doce, privatizadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Na época, os governantes prometeram desenvolvimento e criação de empregos, mas a realidade hoje é exatamente o contrário.

Depois do ato de abertura, a caravana segue para o Vale do Rio Doce, Vale do Mucuri, Vale do Jequitinhonha, passa pelo Norte de Minas, Região Metropolitana de Belo Horizonte e termina em um grande ato na capital mineira, no dia 30 de outubro. Lula visitará cidades atingidas pelo crime ambiental da Samarco, acampamentos do MST, universidades que estão sendo desmontadas desde o golpe e regiões onde os  investimentos sociais são ameaçados pelas medidas do governo golpista de  Michel Temer.

A caravana é uma iniciativa do PT em parceria com a Fundação Perseu Abramo, que lançou a Plataforma “O Brasil que o povo quer”, com o objetivo de elaborar uma estratégia para o futuro do país.

Governo Lula em números

O projeto Lula Pelo Brasil é uma iniciativa do PT com o objetivo de perscrutar a realidade brasileira, no contexto das grandes transformações pelas quais o país passou nos governos petistas e o deliberado desmonte dos programas e políticas públicas de desenvolvimento e inclusão social, que vem sendo operado pelo governo golpista em um ano e meio.

Mostrar o impacto gerado pelos programas sociais dos governos do PT é a tônica dos atos da caravana.

Durante o governo Lula, por exemplo, foram criadas três universidades em Minas e 16 campi universitários, expandindo a educação superior para o interior do estado e para regiões até então esquecidas pelos governos. Ainda na área da educação, os governos do PT criaram 43 novas escolas técnicas em Minas Gerais.

Na área da saúde, mais de 4 milhões de mineiros foram beneficiados com medicamentos gratuitos. Durante a gestão de Lula também foram instaladas seis mil farmácias da rede Aqui Tem Farmácia Popular.

Só em Minas Gerais, 1,1 milhão de famílias foram beneficiadas com o Bolsa Família, alcançando mais de 4 milhões de pessoas. Com os investimentos sociais dos governos de Lula, mais de um milhão de mineiros deixou a extrema pobreza, iniciativa que tirou o Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas.

Uma história de muitas caravanas

Viajar pelo Brasil, conversando com as pessoas, não é novidade para Lula. Ele percorreu o país nos anos 1970, para organizar o novo movimento sindical; nos anos 1980, para construir o PT; nas Caravanas da Cidadania, de 1992 a 1994, para construir um programa de governo de baixo para cima.

Na presidência, recusou-se a ficar encastelado no Planalto e continuou percorrendo o Brasil.

Esse modo de atuar na política junto com o povo diferencia Lula de outras lideranças nacionais. E agora sua caravana percorre o estado de Minas Gerais.

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