Trabalhadores de todos os turnos estavam na assembleia desta manhã que definiu pela greve. Crédito: Divulgação

No Espírito Santo, metalúrgicos da Gerdau entram em greve

Os trabalhadores querem ganho real, cartão alimentação, aumento no abono salarial, equiparação salarial. A empresa teve 57% de lucro, mas ofereceu 0% de ganho real.

Na manhã desta quarta-feira (6), os trabalhadores na unidade de Serra (ES) da Gerdau, decidiram cruzaram os braços em protesto contra a intransigência da empresa no que se refere a aumento salarial e concessão de benefícios.

Com 98% de adesão, esta é a primeira vez que os metalúrgicos entram em greve na Gerdau do Espírito Santo.

A data-base naquela unidade é 1º de agosto, mas até agora a empresa não apresentou uma proposta que atenda às reivindicações dos trabalhadores. “A greve reflete o descontentamento dos empregados com a proposta oferecida pela empresa, de reajuste salarial de 4, 49% (INPC do período), sem ganho real, e abono de R$ 1.800, o que está muito aquém do que os trabalhadores merecem”, avaliou Roberto Pereira, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo.

Segundo ele, a empresa insiste em argumentar que não dispõe de recursos suficientes para apresentar uma proposta melhor. “Mas a agência de notícias Reuters mostra que só no terceiro trimestre deste ano, a Gerdau teve um lucro de 57%, o que revolta ainda mais os trabalhadores, já que são eles os responsáveis por todo esse lucro”, completou o sindicalista.

O diretor do Sindimetal-ES e coordenador da Comissão de Negociação com Gerdau, Máx Célio de Carvalho, lembrou que a empresa estava fazendo pouco caso da negociação: “Tentamos por várias vezes negociar com a empresa, mas ela estava irredutível. Só agora, após a paralisação, ela procurou o sindicato e agendou uma reunião para amanhã (7). Estamos esperançosos de que, desta vez, seja apresentada uma proposta decente”.

O diretor explicou ainda que a Gerdau já sabia da possibilidade de paralisação. “O aviso de greve foi aprovado pelos trabalhadores em assembleia realizada na segunda-feira (4), mas, ao que parece é que a ‘toda poderosa’ estava duvidando do poder de mobilização dos trabalhadores. E foi diferente, pois os companheiros acordaram e estamos firmes na mobilização”, destacou Máx.

Trabalhadores fecham acesso ao Porto de Praia Mole
No primeiro dia de greve, os metalúrgicos fecharam a pista que dá acesso ao Porto de Praia Mole, principal terminal de transporte marítimo do Espírito Santo, por onde é escoada toda a produção de grandes empresas como a ArcelorMittal, a Usiminas e a própria Gerdau.

O fechamento da pista se deu porque a empresa não queria liberar o transporte para levar os trabalhadores de volta para casa.

“A pista ficou fechada por aproximadamente uma hora. Só depois desse tempo, a Gerdau disponibilizou o transporte que o tráfego no local foi liberado”, contou o presidente do Sindicato, dizendo ainda que os trabalhadores de todos os turnos participaram da assembleia desta manhã e que todos voltarão para a unidade amanhã (7) pela manhã para aguardar o resultado da negociação.

Fonte: assessoria de imprensa do Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo

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