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O protecionismo americano e a falta de política industrial no Brasil

As ações do presidente dos EUA, Donald Trump, para o aumento das tarifas de importação dos EUA sobre o aço e alumínio de 25% e 10%, respectivamente, evidencia mais uma vez a persistência de práticas protecionistas americanas ao longo da história. Tal medida apresenta preocupações para a produção e emprego do setor siderúrgico brasileiro, especialmente para o maior produtor de aço nacional, Minas Gerais, mas também expõe a fragilidade e a falta de uma política industrial no Brasil, que atualmente não é prioritária para o atual governo.

Se analisarmos a participação da indústria nacional no produto interno bruto, próximos a 10%, a queda da atividade industrial nos últimos anos e o comportamento anêmico da indústria no ano de 2017 comparado com a agricultura, que foi responsável por 70% do crescimento do PIB neste ano, verificamos uma regressão da atividade econômica nacional que nos remete aos anos anteriores a 1950, quando a economia brasileira tinha um comportamento basicamente agroexportador.

Em uma análise específica do setor siderúrgico nacional, pode-se verificar que um importante vetor para o consumo do setor siderúrgico nacional até o ano de 2014, diante da sobreoferta do aço chinês no mercado externo, foi o fortalecimento do mercado interno, que chegou a representar em torno de 80% das vendas do setor no Brasil, e que foram impulsionadas pelo alta produção de petróleo, construção civil, produção de automóveis e etc. Ressalta-se no entanto que, diante da alta competitividade e aumento de políticas protecionistas em nível global, é necessário que além de políticas públicas de fortalecimento do mercado consumidor nacional, com emprego e renda de qualidade, também se construa no país uma política industrial que seja alinhada às políticas macroeconômicas, principalmente em relação ao câmbio e juros.

Contrária às necessidades do setor siderúrgico nacional, a política econômica neoliberal implementada pelo atual governo não é capaz de dinamizar o crescimento da indústria nacional, matem elevados níveis de desemprego, impõe perdas ao poder de compra dos trabalhadores, institucionaliza relações de trabalho precários por meio da flexibilização das leis trabalhistas, e consequentemente enfraquece o mercado consumidor, o qual poderia significar uma das principais saídas para a produção de emprego no setor siderúrgico nacional no momento em que se acirra o protecionismo na global.

Portanto, o movimento sindical reconhece que as medidas protecionistas de Trump, são uma ameaça para a produção e emprego do setor siderúrgico no Brasil. No entanto, a falta de políticas públicas para a indústria nacional já está causando um efeito regressivo e devastador para economia brasileira. Nesse sentido, torna-se necessário um diálogo democrático, e que governo, empresários e trabalhadores, possam definir brevemente os rumos da indústria nacional, construir estratégias para seu fortalecimento, aproveitar o potencial do mercado interno, e também prevenir contra aumento das práticas protecionistas no mundo.

Marcelo Figueiredo – Técnico Dieese Subseção FEM/CUT-MG

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