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OLT: a liberdade e a democracia sindical de verdade

ER, 28 DE MAI / 2013

Loricardo de Oliveira

Em 28 de agosto, a Central Única dos Trabalhadores completa seu 30º aniversário. É um momento que deve ser comemorado pela classe trabalhadora e saudado por todos (as) que, na história recente do Brasil, lutaram e continuam lutando pelo pleno exercício da democracia.

A CUT nasceu com um propósito claro: romper as amarras da legislação sindical e unificar as lutas de todos (as)  os (as) trabalhadores (as) de norte a sul do Brasil. Ao longo das três décadas de existência, a Central participou ativamente dos principais momentos da história, da luta contra a ditadura, passando pela defesa dos direitos trabalhistas na Constituinte de 1988, à luta pelas diretas-já para presidente, ao impeachment de Collor, até a eleição do primeiro operário para a chefia máxima da Nação, Luiz Inácio Lula da Silva, e da primeira mulher presidenta, Dilma Rousseff.

A presença marcante da CUT na vida dos (as) trabalhadores (as) e da Nação foi reconhecida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento como o provável “único exemplo de resistência vitoriosa da classe trabalhadora em escala global”. Isso representa muito em tão pouco tempo de existência.

Mas isso também significa que a nossa Central e suas entidades filiadas têm de continuar quebrando barreiras em defesa de nossa classe e se desafiando o tempo todo para alcançar o princípio que norteou a sua criação: a liberdade e a autonomia sindical.

Apesar de importantes avanços na configuração das entidades sindicais – como o reconhecimento das Centrais Sindicais e a constituição dos Comitês Sindicais de Empresa em sindicatos da base da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) –, a unicidade sindical, o imposto sindical e o poder normativo da Justiça do Trabalho ainda continuam determinando como e de que forma os (as) trabalhadores (as) devem se organizar em suas entidades sindicais.

Infelizmente, apesar das propostas acordadas no Fórum Nacional do Trabalho – instituído no governo Lula e que se encontram “amarradas” na lenta tramitação do Congresso Nacional – o movimento sindical pouco tem feito para mudar a sua realidade. Parece estar acomodado nesse tema.

Assim, nós, metalúrgicos (as) da CUT – que tivemos e continuamos a ter um papel importante para a vida sindical e o desenvolvimento econômico e social do Brasil –, precisamos mais uma vez sair na frente e recolocar este tema na pauta do sindicalismo.

É nossa responsabilidade formular propostas que contemplem e tragam para a vida de nossas entidades os (as) jovens trabalhadores (as) que chegam a cada dia no mercado de trabalho sem qualquer referência das lutas que, inclusive, têm garantido a ampliação do nível de emprego em nosso país, enquanto lá fora, o desempregomassacra a juventude…

Cabe a nós – que ainda na ditadura, além de lutar pela CUT, constituímos as primeiras comissões de fábrica no país – abraçar definitivamente a luta pelo direito de organização no local de trabalho para, de fato, estar na luta com a juventude que hoje ocupa os empregos nas indústrias e exercendo para valer a democracia plena.

Assim, a Plenária Estatutária Nacional dos (as) Metalúrgicos (as) da CUT – que acontecerá nos próximos dias 19 e 20 de junho – será uma oportunidade única para que a CNM/CUT, as Federações e os sindicatos de base deem mais um passo importante e definam como bandeira prioritária a luta pela Organização no Local de Trabalho. Só assim estaremos construindo a liberdade e a democracia sindical de verdade.

*  Loricardo de Oliveira é Secretário de Políticas Sindicais da CNM/CUT

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