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Para metalúrgicos da CUT, Cunha quer ‘passar o trator em cima dos trabalhadores’

Representantes dos trabalhadores e do empresariado se reuniram, nessa terça-feira, 4, em São Paulo para discutir os impactos da terceirização e o mercado de trabalho. O debate foi promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Projeto de Lei Complementar (PLC) 30/2015 – que tramitou na Câmara como PL 4330/2004 – que regulamenta e amplia a terceirização para todas as funções, aguarda votação, no Senado.

Para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, não há dúvidas: do jeito que está, o projeto traz prejuízos para o trabalhador. Rafael Marques, presidente da entidade, afirmou que o PLC 30/2015 só atende um dos lados do debate.

“O (presidente da Câmara) deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) achou que devia votar, tem compromisso com setores do empresariado que são empresas de terceirização, e quis, na verdade, ‘passar o trator’ em cima dos trabalhadores, e nós não podemos permitir isso.”

O presidente do Sindicato defende a garantia de direitos para os cerca de 13 milhões de trabalhadores terceirizados, mas alerta que o projeto aprovado pela Câmara vai estimular o aumento da terceirização, em vez de qualificar o mercado de trabalho.

“O projeto não está devidamente à altura de ser votado sem causar ressentimentos, ou com os trabalhadores, ou com os empresários”, diz Rafael Marques, que pede uma solução que atenda aos interesses dos setores patronais mas com prioridade às lutas e conquistas históricas dos trabalhadores.

Rafael Marques lembrou que o avanço da terceirização, a partir da década de 1990, aumentou a rotatividade nos postos de trabalho e, consequentemente, a elevou os gastos do governo com o seguro-desemprego. Além disso, um trabalhador terceirizado ganha, em média, 28% a menos que um contratado.

Hoje a terceirização só é permitida para atividades-meio, como limpeza e segurança. O novo texto diz que empresa terceirizada só poderá oferecer um único serviço, e a contratante deverá exigir da terceirizada o pagamento dos direitos previdenciários e trabalhistas, e também deverá fiscalizar o pagamento dos benefícios na condição de solidária terceirizada.

A proposta agrada representantes alinhados ao empresariado, como o economista e professor da Universidade de São Paulo e do Instituto Millenium, Hélio Zylberstajn, presente ao debate. Ele afirmou que, se os senadores aprovarem o PLC 30/2015 como está, liberando a terceirização para todas as atividades, os dois lados vão ganhar. “As empresas vão ter um regime legal para poder terceirizar, e os trabalhadores vão ter aumentados os seus direitos, enquanto terceirizados. É um projeto que equilibra o interesse dos dois lados.”

Para Alexei Macorin, da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), o que importa é a competitividade da indústria. “Mais importante do que querer ser próprio, ou querer ser terceirizado, é querer estar empregado. É isso que nós estamos discutindo.”
Fonte Brasil Atual.

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