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Para ministro da Indústria, proteção ao emprego pode manter economia aquecida

“A adoção de um sistema de proteção ao emprego pode contribuir com a redução da rotatividade e a ampliação da qualificação profissional”. A avaliação é do ministro Mauro Borges, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e foi feita ontem (28) em audiência com os dirigentes nacionais da CUT que representam trabalhadores do ramo industrial. Também esteve presente Alexandre Comin, diretor do Departamento de Competitividade Industrial do MDIC.

No encontro, que aconteceu na sede do Ministério em Brasília, os sindicalistas apresentaram um diagnóstico do emprego de metalúrgicos, químicos, trabalhadores no vestuário, na alimentação e na construção (segmentos que integram o Macrossetor da Indústria da CUT), e defenderam a proposta de adoção do sistema de proteção ao emprego.

Mauro Borges concordou que um programa desse tipo contribuiu também para evitar desaceleração econômica: “Não resta dúvida que, com a manutenção do emprego, o trabalhador mantém renda e consome, o que garante a produção industrial, a manutenção dos serviços e as vendas do comércio”.

Reivindicaram também que se faça um balanço das atividades dos Conselhos de Competitividade do Plano Brasil Maior e que eles sejam reativados com presença efetiva da representação das entidades sindicais. Os Conselhos são os fóruns de discussão setorial da política industrial brasileira, com representação tripartite (governo, empresários e trabalhadores).

Participaram da reunião o secretário geral da CUT, Sérgio Nobre, os presidentes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Paulo Cayres, da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Vestuário (CNTV), Cida Trajano, da Confederação dos Trabalhadores na Construção (Conticom), Cláudio Gomes, da Confederação Nacional dos Químicos (CNQ), Lu Varjão, e o secretário de Política Sindical da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação (Contac), Nelson Morelli. Eles foram acompanhados por economistas do Dieese.

Proteção ao emprego

“Alguns setores da indústria começam a reduzir a produção e, por isso, estamos num momento propício para a adoção medidas para assegurar empregos”, afirmou Sérgio Nobre na audiência, lembrando que em 2012 uma delegação de sindicalistas, empresários e representantes do governo esteve na Alemanha para conhecer o modelo existente naquele país e concordaram que é possível implantar um modelo semelhante aqui.

“O Brasil gasta para manter o trabalhador desempregado em vez de gastar para que ele permaneça no emprego. Ao avaliar o modelo alemão, a delegação viu que fica mais barato manter o trabalhador no emprego do que no desemprego”, completou Nobre.

A proposta de reivindicar a adoção de programa dessa natureza havia sido aprovada pelas entidades sindicais do Macrossetor da Indústria da CUT em seminário que aconteceu na segunda-feira (27), véspera da audiência com o ministro.

Para os representantes das confederações, este programa tem o potencial de barrar a rotatividade e criar outra cultura no empresariado. “Como medida paralela, o programa pode estar vinculado a cursos de qualificação profissional e, assim, as empresas terão apoio para formar e manter a sua mão de obra”, destacou Paulo Cayres.

Efeito na cadeia produtiva

Lu Varjão lembrou que a desaceleração da produção em setores estratégicos – como o automotivo – acaba se refletindo em outros setores. “A indústria química de plástico, borracha e vidro é fornecedora das montadoras e seus trabalhadores também ficam ameaçados quando há retração na produção de carros”, recordou.

O presidente da Conticom também reforçou a urgência para a adoção de medidas, dizendo que na construção civil poderá haver impacto forte no emprego em função do término das grandes obras da Copa do Mundo. “Somos o setor industrial com a maior rotatividade de mão de obra e os empregos também dependem dos investimentos públicos em obras”, assinalou Cláudio Gomes.

Cida Trajano, por sua vez, avaliou que são necessárias ações complementares à permanente desoneração da folha de pagamento de setores econômicos, como a anunciada na véspera pelo governo federal. “Medidas como esta não preveem contrapartidas que defendam o trabalhador e seus empregos”, ressaltou.

Plano Brasil Maior

No encontro, os sindicalistas acertaram com Mauro Borges e Alexandre Comin a elaboração de um diagnóstico sobre o Plano Brasil Maior e a realização de reuniões de balanços de cada Conselho de Competitividade, para que eles sejam reativados sob nova perspectiva. “Insistimos que devemos construir para a indústria uma política de estado e não de governo e que as contrapartidas trabalhistas estejam asseguradas”, afirmou Paulo Cayres.

“Agora, com o Macrossetor, atuaremos em conjunto nos fóruns institucionais e, com certeza teremos mais respaldo e respeito do empresariado”, assinalou o secretário da Contac.

A série de reuniões dos Conselhos – a serem articuladas pelo MDIC – será precedida do Seminário “Plano Brasil Maior – balanço e perspectivas”, que o Macrossetor da Indústria da CUT realizará nos dias 24 e 25 de julho, em São Paulo e para o qual o ministro confirmou ontem a sua presença.
“Queremos deixar de ser uma indústria de baixa tecnologia com baixo salário, para ser uma indústria de alta tecnologia com altos salários e com um forte valor agregado”, concluiu Sérgio Nobre, ao falar da importância de reativar os Conselhos do Plano Brasil Maior.

(Fonte: Solange do Espírito Santo – assessoria de imprensa da CNM/CUT)

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