Paralisação na Fagor em Extrema-MG

Paralisação na Fagor conquista aumento de 14% – Extrema-MG

Durante três dias os trabalhadores da Fagor em Extrema/MG, cruzaram os braços reivindicando aumento real de salário, e com muita luta, cansaço, persistência e apoio dos diretores do Sindicato conquistou finalmente um aumento salarial que a maioria dos trabalhadores tanto almejavam.

Alexandra Amaral, dirigente sindical, ressalta o valor desta greve:

“A paralisação de três dias que aconteceu com os trabalhadores da Fagor, foi um ato importante para relembrar que a classe trabalhadora tem de resgatar o sentimento de classe, pois foi somente com a união dos trabalhadores que alcançamos o objetivo que foi o aumento real nos salários abaixo de 4.000,00 que reflete na maioria dos trabalhadores. Para mim, a experiência foi ímpar, pois senti na pele, o que quer dizer a palavra solidariedade. Nos três dias, diversos trabalhadores ficaram na porta da empresa, passando frio, fome e cansaço para garantir um aumento para que todos, independente do setor ou cargo, fossem contemplados e, embora o Sindicato entrasse como mediador desta situação, somente após a 1ª paralisação, não poderíamos deixar de ficar ao lado dos trabalhadores nesta hora fornecendo no mínimo como lanche, café, pão e água quando o bebedouro da empresa foi deixado de ser reabastecido. Afinal, é pra isso que o sindicato existe”.

Já para o integrante da Comissão de Trabalhadores da Fagor, Cleiton Oliveira (o China), a greve se justifica: “estávamos indignados com a postura da empresa, deixando bem claro, que os trabalhadores estavam cientes das áreas críticas da Fagor (fornos), por isso, ficou acertado com os trabalhadores das áreas críticas que, mesmo contra a sua vontade, entrassem para não causar maior dano à empresa. Por outro lado, deu a entender que a empresa não valoriza os trabalhadores mais antigos, já que era visível a valorização da mão de obra ainda não qualificada da empresa, ou seja, os novatos, enquanto os trabalhadores com mais tempo de empresa não foram valorizados, e mesmo com o sindicato alertando sobre a ilegalidade da paralização e o desconto dos dias parados, nós trabalhadores, resolvemos por conta própria, cruzar os braços exigindo um aumento real de salário, mas não podemos deixar de reassaltar que o apoio do sindicato foi muito importante pra nós”.

Veja a seguir como ficou definido o aumento para os trabalhadores da Fagor a partir de outubro de 2013:

-Até R$ 1.122,00 – INPC no mínimo de 6%, principalmente porque a gerência do RH da empresa garantiu que os trabalhadores nesta faixa de salário já haviam recebido aumento e que não tinha na empresa ninguém recebendo menos que este valor.

-De R$ 1.123,00 até 1.581 – 8% mais INPC no mínimo de 6%;

-De R$ 1.582,00 até 4.000,00 – 7% mais INPC no mínimo de 6%;

-Acima de R$ 4.000,00 – INPC no mínimo de 6%.

Cláudio de Araújo (Viola), um dos representantes dos funcionários da empresa Fagor, conta que os trabalhadores estavam unidos, e depois de muitas reuniões conseguiram o objetivo que era o aumento salarial, o que segundo ele, foi bom para ambas às partes.

“Na realidade, a primeira proposta dos trabalhadores chegava a 16% de aumento no salário, e a contraproposta da empresa foi de 11%, o que foi rejeitada por todos os trabalhadores, e com esta nova proposta entre Sindicato e Comissão dos Funcionários, chegou a 14% de aumento, mesmo que o INPC fique abaixo de 6%, este valor de 14% será mantido”, afirma Viola.

Foi pré-definido também, que Cláudio Ubiratã (Viola), Everaldo da Silva, Cleiton Oliveira (China), Clayton Ribeiro e Alexandra Amaral, que formaram a Comissão, continuarão representando os trabalhadores: “Vamos pensar o que a empresa pode ainda melhorar para os trabalhadores futuramente, assim como, o que nós trabalhadores, poderemos melhorar para empresa”, complementa Viola.

Clayton diz estar muito satisfeito com o resultado da paralisação, pois foi a união de todos os trabalhadores que chegaram a um resultado satisfatório: “outras conquistas deverão acontecer. Por isso, agradeço aos trabalhadores pela confiança depositada em nós e ao apoio do Sindicato para que nossas reivindicações fossem ouvidas”.

Para o presidente do sindicato, Vanderlei Marques, o STIMEIC sempre acreditou na força da união dos trabalhadores, e esta paralisação das empresas Fagor e Unicoba, que também reivindicava melhoria no Visa Vale, só veio demonstrar a insatisfação dos trabalhadores em relação ao baixo salário que vem sendo pago pelas empresas aqui na região.

“Para nós, dirigentes sindicais, é uma satisfação imensa conquistar estas vitórias, principalmente, ao constatar que o trabalhador mesmo sabendo da possibilidade da greve ser considerada ilegal, enfrentou às injustiças que o setor empresarial não quer enxergar. Os trabalhadores paralisaram com consciência e união. Portanto, devemos avançar cada vez mais em lutas por garantia de direitos. Desta forma, caros companheiros, tomemos como exemplo a Fagor e a Unicoba para conquistarmos um aumento de salário justo dentro da Campanha Salarial para outubro próximo. O caminho é longo, mas com a união de trabalhadores e sindicato, ele estará mais próximo”, afirma.

Comissão de Trabalhadores da Fagor. Da esquerda para a direita: Everaldo, Viola, Alexandra, China e Clayton.

Comissão de Trabalhadores da Fagor. Da esquerda para a direita: Everaldo, Viola, Alexandra, China e Clayton.

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