reforma

Realidade brasileira desmente Banco Mundial, “porta-voz do capital”

“As restrições das leis trabalhistas às empresas e o alto (e crescente) valor do salário mínimo têm o potencial de limitar as oportunidades de trabalho formal – principalmente para os jovens em busca de emprego”, diz o relatório “Emprego e Crescimento – A Agenda da Produtividade”, lançado na última quarta-feira (7) pelo Banco Mundial.

Fixado este ano em R$954, o salário mínimo brasileiro é considerado pelo Dieese insuficiente para sustentar uma família. Conforme cálculos da entidade, em fevereiro, o salário mínimo ideal deveria ser de R$ 3.682, ou seja, 3,86 vezes maior que o estabelecido.

De acordo com documento do próprio Banco Mundial, o presidente da instituição, Jim Yong Kim, recebia, em 2013, US$ 476 mil por ano. Significa que sua remuneração mensal, na cotação do dia, é de R$ 127 mil. Ou seja, o líder do banco recebia um salário que é mais de 130 vezes maior que o do trabalhador brasileiro, esse que, para a instituição financeira, ganha muito.

A opinião do banco é divergente, por exemplo, dos dados contidos no relatório sobre salário mínimo do instituto europeu de pesquisa econômica e social WSI, ligado à Fundação Hans Böckler. O estudo, que utiliza dados de janeiro de 2018, afirma que piso salarial do Brasil é “muito baixo”.

Um gráfico divulgado pelo sociólogo e especialista em Relações Internacionais Marcelo Zero também mostra uma realidade diferente da apresentada pelo Banco Mundial. A imagem contém valores do salário mínimos reais de diversos países, medidos em dólares, pelo critério de Paridade de Poder de Compra (PPP) que leva em consideração o custo de vida de cada país. Nela, o salário do Brasil está em antepenúltimo lugar entre os países selecionados. (Veja abaixo).

salarios_minimos119424

Mas, de acordo com o Banco Mundial, a fórmula de reajuste do salário mínimo brasileiro, que permitiu a valorização dos rendimentos do trabalhador ao longo dos anos, deve ser revista. A instituição recomenda considerar no cálculo indicadores de produtividade do trabalhador.

Segundo a entidade, para o crescimento econômico do país ser maior e mais duradouro, é preciso melhorar a produtividade, integrando melhor o jovem no mercado de trabalho.

“Salários mínimos elevados e obrigatórios elevam os custos dos trabalhadores menos qualificados, incentivando a substituição do trabalho por tecnologias que economizam mão-de-obra ou empurrando os trabalhadores para a informalidade”, afirma.

Comentários foram encerrados.