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Relatório da Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça da CUT mostra experiência de João Monlevade

A Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça da CUT (Central Única dos Trabalhadores) lançou durante o 12º Congresso Nacional da Central, realizado na cidade de São Paulo, entre os dias 13 e 17 de outubro, o seu Relatório contendo uma síntese dos trabalhos realizados e artigos de pesquisadores sobre a ditadura militar no Brasil. A publicação, organizada pelo Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT (CEDOC CUT), que assessorou a Comissão, utilizou, entre as fontes de pesquisas, documentos de instituições sindicais, entre elas o Centro de Referência e Memória do Trabalhador (Cerem) do Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal).

O Relatório está dividido em cinco partes. Na primeira, mostra que os trabalhadores foram as principais vítimas da ditadura que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. No primeiro ano do golpe militar, morreram 27 pessoas vítimas da repressão, sendo que 15 eram trabalhadores, dentre os quais oito eram sindicalistas.

Dialogando com o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que reconheceu 434 mortos e desaparecidos políticos entre os anos 1950 e 1985, a Comissão da CUT mostra que 56 desses eram dirigentes e ativistas sindicais, representando 13% do total, número bem maior que os 5% de sindicalistas mortos e desaparecidos reconhecidos pela CNV.

A CUT também reconheceu no seu Relatório casos de trabalhadores mortos em manifestações trabalhistas que não foram reconhecidos pela CNV, como as ocorrências com Amaral Vaz Meloni, assassinado durante a greve de Guariba em 1984, e Orlando Corrêa e Sybele Aparecida Manoel, assassinados durante a greve de Leme em 1986, dentre outros. O livro mostra, igualmente, que da mesma forma que o Estado reconheceu os assassinatos de Raimundo Ferreira Lima (Gringo), Wilson Pinheiro, Margarida Maria Alves e Nativo da Natividade de Oliveira como crimes políticos, deveria reconhecer dezenas de outros casos de sindicalistas rurais que foram assassinados nas mesmas circunstâncias. Conforme a legislação de justiça de transição no Brasil, o Estado deve reconhecer como crimes políticos as pessoas assassinadas por policiais em manifestações públicas até 5 de outubro de 1988.

Na segunda parte, o livro relata os atos de sindicatos e da CUT por memória verdade, justiça e reparação levados a cabo entre julho de 2013 e janeiro de 2015. Mostra que a Central participou de outras atividades, como o Tribunal Tiradentes que julgou a lei de anistia, organizou atos e seminários em repúdio ao golpe militar e recebeu apoios importantes.

A terceira parte é dedicada à pesquisa e documentação e traz reproduções de documentos e fotos sobre intervenções sindicais, invasões de sindicatos, repressão às greves e também pesquisas desenvolvidas por entidades CUTistas e seus centros de documentação. Entre os documentos reproduzidos, estão páginas do Processo da Justiça de nº 4281, movido contra dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos João Monlevade, em 1964, num ato de perseguição aos trabalhadores que envolveu ação conjunta entre militares e a então Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (atualmente, ArcelorMittal).

As duas últimas partes do livro reúnem artigos de pesquisadores sobre a ditadura militar no Brasil e uma entrevista com Paulo Vannuchi, ex-secretário de Direitos Humanos da Presidência da República, que trata das ações dos trabalhadores por memória, verdade, justiça e reparação e as perspectivas para a punição dos responsáveis por mortes, desaparecimentos e torturas durante o regime militar no Brasil.

O Relatório da Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça conta com a apresentação do presidente da CUT, Vagner Freitas, e prefácio de Expedito Solaney, ex-secretário de Políticas Sociais da Central, que coordenou a Comissão.

A CUT entregará o livro oficialmente à Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e, nos casos onde reconhece pessoas mortas devido à repressão política, exigirá que sejam feitas a abertura de procedimentos para as reparações políticas e materiais.

O Relatório da Comissão Nacional da Memória, Verdade e Justiça da CUT, em sua edição tradicional em papel, pode ser solicitado ao Centro de Documentação e Memória Sindical da CUT (cedoc@cut.org.br). A versão eletrônica pode ser acessada AQUI>>>

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