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Seminário discute malefícios a saúde do trabalhador em turno de revezamento

A pessoa que trabalha em sistema de turnos de revezamento sofre diversos impactos negativos decorrentes dessa forma de trabalho, com ameaças a seu bem-estar físico, mental e social. Exatamente por acarretar piores condições de saúde, inclusive em sua convivência com amigos e familiares, o trabalho em turnos ininterruptos de revezamento se tornou objeto de cláusula específica na Constituição Federal.

Com o objetivo de discutir as especificidades do tema, as questões jurídicas e as estratégias para garantir o direito constitucional na prática, a  Federação dos Metalúrgicos da CUT de Minas Gerais realizou, na terça-feira, 18/11, seminário sobre Turno Ininterrupto de Revezamento.

Os sindicatos de BH/Contagem, João Monlevade, Extrema, Juiz de Fora, Timóteo, Santa Luzia e Vespasiano estiveram representados durante o encontro. A CNM foi representada pelo companheiro Bira e o companheiro Quirino.

O técnico do Dieese Frederico Mello e o advogado Dr. Caldeira fizeram exposições sobre o tema. Para Frederico, o trabalho no período noturno e em turnos ininterruptos de revezamento afeta a biologia humana. “A sociedade é organizada para seguir alguns padrões, como trabalhar durante a semana, particularmente durante o dia, e folgar aos fins de semana e descansar a noite. Quem trabalha em turno de revezamento não consegue seguir nem o tempo biológico nem o tempo cultural”, disse.

Segundo Dr. Caldeira, a jornada de trabalho é a questão mais negligenciada no contrato de trabalho. “O trabalhador não liga se vai trabalhar muito ou pouco, não se preocupa que horas vai almoçar ou sair da empresa em função da compensação financeira, para o trabalhador, o que interessa é o dinheiro no bolso”, declarou, reafirmando que o trabalhador não dá a devida importância para sua saúde.

Dr. Caldeira informou também que turno ininterrupto de revezamento em atividade insalubre não pode haver acordo de ampliação de jornada, ainda que mantendo as 180 horas.

Os trabalhadores têm aceitado as imposições das empresas com relação ao turno de revezamento em função da compensação financeira oferecida, porém estão deixando a saúde de lado.

Depois das apresentações, que ocorreram na parte da manhã, grupos de trabalho foram criados para se elaborar estratégias objetivas para mostrar ao trabalhador os malefícios a saúde que o trabalho em turnos ininterruptos de revezamento causa.

As principais estratégias elaboradas pelos grupos foram: Realizar seminários sobre este tema voltado para os dirigentes sindicais, como forma de subsidia-los de informações para que o trabalhador seja bem informado e criar um coletivo para sistematizar a discussão.

Um novo encontro foi marcado para o dia 9 de dezembro, na FEM/CUT-MG, para discutir as ações tiradas durante este seminário.

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