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Trabalhadores da ArcelorMittal Monlevade aprovam proposta de PLR

Em assembleia realizada na quarta-feira (13), os trabalhadores da ArcelorMittal aprovaram a proposta de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) apresentada pela empresa ao fim de um processo de negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de João Monlevade (Sindmon-Metal) que se estendeu por mais de dois meses.

Pelos termos do acordo aprovado, o benefício poderá chegar até o limite máximo de 3,5 salários-base de cada empregado, considerando uma tabela de metas a serem cumpridas até o final do ano. Funcionários com salários inferiores a R$ 2.300,00 terão o cálculo feito sobre esse valor, que foi definido como o piso para apurar a PLR. A proposta aprovada é semelhante à do ano passado.

Segundo o presidente do Sindmon-Metal, Otacílio das Neves Coelho, a empresa utiliza um modelo de PLR muito “engessado”, quase inflexível, elaborado para dar pouco espaço à negociação. “Mas garantir um salário-base mínimo para o cálculo, de forma a proteger quem ganha menos, é fundamental. A princípio, a empresa se recusava a utilizar um piso e só mudou de posição após insistirmos nessa questão. Avanços, no entanto, só são possíveis se a categoria se mobiliza de fato”.

Ele questiona que, entre as metas propostas pela ArcelorMittal, os indicadores de natureza financeira, que escapam ao controle do trabalhadores, tenham peso muito maior do que o desempenho de produtividade. “Dessa forma, o trabalhador produzir mais e melhor acaba tendo pouco reflexo no benefício”.

Metas

A proposta da siderúrgica para apurar o valor da PLR baseia-se em uma série de metas, divididas em gerais (referentes a todo o grupo ArcelorMittal) e locais (relativas ao desempenho da Usina de Monlevade).

As gerais, que têm juntas 70% de peso na fórmula de apuração da PLR, são de natureza financeira e consideram os valores apurados de Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e o FCF (Fluxo de Caixa Livre, em sigla em inglês). O Sindmon-Metal considera que a utilização desses indicadores contraria a legislação que regulamenta o pagamento de PLR (Lei 10.101/2000), que exige as empresas utilizem apenas dados que possam ser acompanhados com transparência pelos funcionários”.

Já as metas locais, com peso conjunto de 30% no cálculo, envolvem dados de produção e qualidade. “A ArcelorMittal nunca informa números atualizados de Ebtida e FCF, alegando estratégicas de mercado. Acabamos tendo que recorrer a outros fontes de informação para obter esses dados”, explica Otacílio.

Ao longo de negociações, os trabalhadores conseguiram alterar alguns indicadores de metas locais, para ajustá-los a parâmetros que consideram mais razoáveis, com base na apuração de desempenho nos últimos anos e nos primeiros meses deste ano.

Pagamento

Como nos anos anteriores, a empresa deve pagar uma antecipação da PLR na primeira quinzena de novembro, mas a data ainda será discutida. Esse pagamento é feito com base na estimativa de cumprimento hipotético de 100% das metas no período de janeiro a dezembro deste ano.

O restante é pago em maio do ano seguinte. De acordo com a proposta, a PLR só é devida se forem atingidas pelo menos 80% das metas. Neste caso, o benefício será de 2,2 salários-base; se atingidas 100%, a PLR fica em 2,8 salários-base; e, se atingidas 120%, chega a 3,5 salários-base. Caso não sejam alcançadas pelo menos 80% das metas, os trabalhadores perdem direito à PLR, mas a antecipação não é descontada.

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