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Trabalhadores da Mercedes Benz em Juiz de Fora paralisam atividades em protesto

A planta da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (Zona da Mata) deverá encerrar a produção do modelo de caminhão Accelo em 2016 e a do Actros em 2018. Nesse caso, a unidade seria utilizada apenas para a montagem e pintura de cabines, segundo informações do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Juiz de Fora, João César da Silva.

A notícia teria sido dada aos trabalhadores ontem pela direção da empresa, e logo após a reunião os funcionários paralisaram as atividades em protesto. A produção daquela unidade seria totalmente transferida para a de São Bernardo do Campo, em São Paulo, até 2018.

Neste ano, serão produzidos na fábrica de Juiz de Fora cerca de 8 mil Accelos (caminhões mais leves) e aproximadamente mil Actros (extrapesados). No exercício passado, também segundo projeções do sindicato, foram 13 mil unidades fabricadas. “A produção foi um pouco mais baixa neste ano em função da crise. Mas, no próximo ano já vai ter uma demanda maior. Tanto é que a produção vai continuar em São Bernardo, intacta. Só estão tirando daqui a produção”, afirma o sindicalista.

Hoje, os trabalhadores vão se reunir pela manhã para definir quais os termos da negociação. Mas temem pelos seus empregos, uma vez que a empresa já vem demonstrando não estar em um bom momento há alguns meses. Tanto que, dos 750 trabalhadores da unidade, 168 estão com contrato de trabalho suspenso até janeiro próximo. Vários outros passaram por processo de férias coletivas ao longo do exercício.

Segundo Silva, caso a unidade seja utilizada de fato apenas para a montagem e pintura de cabines, os impactos para o município serão enormes. “Pelas projeções que fazemos, até 2016, não haverá necessidade de manter nem 50% do atual quadro de funcionários. E o número de postos fechados é muito maior, porque tem um universo muito grande de trabalhadores indiretos que também não serão demandados mais”, afirma.

Esse cálculo leva em conta o fato de a produção ser reduzida e os investimentos em mecanização aumentados. Silva conta que foram comprados 150 robôs para atuar na unidade assim que houver a mudança no perfil da planta.

Além disso, ele estima que 12% da arrecadação do município venham da fábrica da Mercedes, participação essa que também deverá ser alterada. Até porque, ele lembra que um caminhão custa, em média, R$ 400 mil e uma cabine, R$ 15 mil.

A empresa afirma que irá divulgar informações sobre a unidade em breve e que não tem planos de fechar a planta. Além disso, garante que o nível de emprego será mantido. Porém, não nega a possibilidade de transferir a produção para São Bernardo do Campo.

A última nota divulgada pela montadora explicava os motivos que a levaram a dar férias coletivas para uma série de funcionários neste ano. A crise econômica na Argentina e a decisão do governo local de adiar a adoção do Euro 5, que promoveria a substituição do diesel dos tipos S-500 e S-1800 pelo S-10 (com menor teor de enxofre) foram alguns deles. Isso fez com que a exportação para a Argentina, um dos principais mercados, fosse reduzida.

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