milton

GRANDE PARCELA DE TRABALHADORES NÃO SE SENTEM REPRESENTADOS PELOS SINDICATOS, DIZ MILTON REZENDE

Milton Rezende, representante da CUT Nacional, falou em reorganização sindical como mecanismo para fazer frente a todas as transformações que estão acontecendo no mundo do trabalho. “A estrutura sindical que temos hoje não representa e não consegue organizar os milhões de homens e mulheres que estão no mercado de trabalho, precarizado, autônomo, terceirizado”, disse.

Segundo Milton, mais de 60 milhões de trabalhadores, que estão na produção de alguma forma, não estão representados e não se vêm nos sindicatos. “Nossa estrutura sindical foi forjada no processo da primeira revolução industrial. Neste período muita coisa aconteceu e vem acontecendo e nós temos que repensar nossa estrutura sindical”, ressaltou.

“O novo modelo de exploração pelo qual a classe trabalhadora passa, um modelo que retira direitos, que privatiza a saúde, que transforma a previdência, a saúde pública e a educação em mercadoria, para dar certo, é preciso destruir a organização da classe trabalhadora. Sindicato forte significa uma frente de resistência a esse novo modelo de exploração”.

Milton Rezende faz um questionamento sobre qual estrutura sindical é necessária para reorganizar a classe trabalhadora? Ele chama a atenção ao dizer que não se pode pensar em organizar somente quem tem carteira de trabalho assinada. “Nós temos que olhar o mundo da classe trabalhadora e organizar a classe trabalhadora, dialogando com setores sociais que representam a classe trabalhadora, como o MST, MTST, Atingidos por Barragens, de Mulheres, de Negros e etc, para se construir uma nova forma de organização sindical”.

Milton apresentou um importante dado sobre a baixa representatividade sindical. Segundo ele, todas as centrais sindicais juntas representam somente 11% dos trabalhadores sindicalizados no país e a cada ano este percentual vai diminuído. “Em compensação, a cada ano vai aumentando o percentual daqueles que não estão representados, não tem direitos sociais, convenção coletiva, força de negociação”.

Milton chama a atenção para a urgência de se repensar o sistema democrático de relações do trabalho. “Temos que nos desafiar a fazer uma auto reforma sindical fora da legislação, organizada pelo movimento sindical, que vá muito além de financiamento da estrutura, mas sim de representatividade”.

Milton sugere que a FEM abra um diálogo com a base sobre a reorganização do movimento sindical e pense em possibilidades de se unificar sindicatos por ramo de atividade e não por categoria, como uma das estratégias para não permitir o fechamento de mais sindicatos.

Comentários foram encerrados.