RONALDO

VITIMAS DA COVID-19 NÃO SÃO MAPEADAS PELA CONDIÇÃO E LOCAL DE TRABALHO

Ronaldo Teodoro, professo do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) foi o convidado para falar sobre a saúde do trabalhador. Ronaldo destacou que a falta de dados detalhados sobre a pandemia dificulta a inserção de categorias de trabalhadores no plano de vacinação.

“Entre os mais de 410 mil mortos e 15 milhões de infectados pela Covid-19 não aparece a atividade laboral dessas pessoas em quase nenhum levantamento apresentado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 96% das pessoas que vieram a óbito pela doença não têm registro de qual era sua categoria laboral. Dos infectados, 97% não tem registro de qual era seu local de trabalho. Em Minas Gerais, a categoria trabalho não é considerada para identificar o comportamento da pandemia”.

Teodoro destaca a importância desses dados como elemento para priorizar categorias de trabalhadores no programa de imunização contra a Covid-19 e também no fortalecimento de políticas públicas de prevenção ao contágio da doença entre essas pessoas.

“Dados do Caged mostram que de janeiro de 2020 a janeiro de 2021 algumas categorias registraram aumento expressivo de mortes. As que apresentaram maior elevação foram as de frentista de posto de combustíveis, operadores de caixas de supermercados, motorista de ônibus e vigilantes. Todos apresentaram aumento acima de 60% no número de mortes em um ano”.

Ronaldo lembra que esses dados não identificam a causa da morte e que os mesmos não estão no Ministério da Saúde e sim no da Economia. “O registro da condição laboral de todos que são atendidos pelo SUS se coloca como uma agenda fundamental para o planejamento público de saúde do trabalhador”.

O professor ressalta a importância da luta sindical, próxima ao SUS, reivindicando o enriquecimento e a valorização da categoria trabalho no cotidiano do sistema de saúde.

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